Por Kerlen Viana

Por muitos anos, concluir uma formação superior ou técnica era visto como o principal passo para conquistar a estabilidade profissional. Embora o diploma continue sendo um importante diferencial e, em diversas profissões, um requisito indispensável, a realidade atual mostra que ele, sozinho, já não garante o sucesso no mercado de trabalho.

Em 2026, as transformações tecnológicas, a digitalização acelerada dos processos e as constantes mudanças nas relações de trabalho têm levado as empresas, inclusive no cenário regional, a buscar um perfil profissional mais completo.

Nesse contexto, ganha destaque um conceito cada vez mais presente na área de Recursos Humanos: as soft skills, ou habilidades comportamentais. Elas representam competências ligadas à forma como o profissional se comunica, trabalha em equipe, toma decisões e se adapta aos desafios do ambiente organizacional.

Entre as habilidades mais valorizadas atualmente, destacam-se: comunicação eficaz e inteligência emocional; capacidade de resolver problemas complexos; organização e pensamento crítico; adaptabilidade, liderança e colaboração.

Em muitos processos seletivos, profissionais com formação acadêmica semelhante são diferenciados justamente pela maneira como aplicam seus conhecimentos e interagem no dia a dia de trabalho.

Outro ponto que ganhou força é o desenvolvimento de competências digitais. Mesmo em áreas tradicionalmente menos ligadas à tecnologia, os profissionais que conseguem utilizar ferramentas digitais, interpretar informações e acompanhar inovações tendem a ampliar drasticamente suas oportunidades.

Isso não significa, de forma alguma, que o diploma perdeu seu valor. Pelo contrário: ele continua sendo a base essencial para o desenvolvimento. O que mudou foi a expectativa do mercado. Hoje, a formação precisa vir acompanhada de prática, atualização constante e desenvolvimento das chamadas competências humanas.

Para estudantes e trabalhadores, a mensagem é clara: investir em educação tradicional continua sendo fundamental, mas desenvolver habilidades socioemocionais e fortalecer a capacidade de adaptação tornou-se a chave para a construção de uma carreira longeva.
Fica a reflexão: o diploma abre as portas, mas o que estamos desenvolvendo além dele para nos mantermos relevantes no mercado de trabalho?

(*) Kerlen Viana é tecnóloga em Recursos Humanos e docente na formação técnica.

@kerlenaparecida