Há cinco décadas, cheguei a esta cidade como um jovem médico, trazendo sonhos e esperança. Hoje, celebro uma trajetória que se confunde com a minha própria vida. Em 2026, completei 50 anos de medicina.
Foi também há 50 anos, em 12 de setembro de 1976, que cheguei a João Monlevade, vindo de Dores do Indaiá, para iniciar minha carreira. Jovem, recémformado e sem conhecer praticamente ninguém, trouxe na bagagem o desejo de exercer a medicina com dedicação, salvar vidas e aliviar as dores de quem precisasse de cuidado.
Comecei a trabalhar no antigo prédio da Assistência Médica, próximo à usina da Belgo-Mineira, atual ArcelorMittal. Naquela época, não imaginava que permaneceria tanto tempo nesta cidade. O que inicialmente seria uma oportunidade profissional tornou-se uma história de vida. Aqui construí minha família, fiz amigos, consolidei minha carreira e encontrei razões para continuar servindo à comunidade.
Ao longo dessas cinco décadas, atuei em diferentes espaços da saúde de João Monlevade, como a Associação Beneficente dos Empregados da Belgo (Abeb, hoje Abertta), o Hospital Margarida, a Prefeitura e clínicas particulares. Acompanhei de perto a evolução da medicina, desde um período de poucos recursos diagnósticos até os avanços tecnológicos e científicos que transformaram o cuidado com os pacientes.
Também tive a oportunidade de contribuir para a saúde pública. A convite do então prefeito Leonardo Diniz Dias, que administrou o município de 1989 a 1992, assumi a Secretaria Municipal de Saúde e participei da implantação de importantes políticas públicas. Foi uma experiência que ampliou minha compreensão sobre a responsabilidade de cuidar das pessoas e de trabalhar pelo bem coletivo.
Tenho orgulho, ainda, de ter acompanhado a construção e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o SUS, reconhecido pela Constituição Federal de 1988 como um direito de todos e um dever do Estado. Como médico e gestor público, sei da importância dessa conquista para a população brasileira.
João Monlevade também me deu o que tenho de mais precioso: minha família. Aqui me casei com a Rosângela, com quem tive três filhos: Isabela, Natália e Luís Felipe, todos formados em medicina. Hoje, temos quatro netos: Luísa, Lívia, Henrique e João e mais dois a caminho. À minha família, agradeço pelo amor, pelo apoio e pela compreensão ao longo de uma caminhada marcada por muito trabalho, dedicação e desafios.
A medicina e a vida pública são duas missões que muito me honram e que têm algo essencial em comum: o compromisso com as pessoas. Durante a pandemia de coronavírus, essa conexão ficou ainda mais evidente. Enfrentamos um período difícil, que exigiu união, responsabilidade e confiança na ciência. As perdas jamais serão esquecidas, mas a experiência reforçou a importância do SUS e do trabalho coletivo na proteção à vida.
Hoje, 50 anos depois de minha chegada, tenho a honra de administrar João Monlevade pela terceira vez, eleito pelo voto popular, sem jamais abandonar o exercício da medicina. Olho para essa trajetória com gratidão e orgulho, consciente de que nada disso teria sido possível sem o apoio da minha família, dos colegas de profissão, dos servidores, dos amigos e, principalmente, dos pacientes que confiaram em meu trabalho.
Agradeço a Deus por me conceder saúde, força e disposição para seguir nessa caminhada. Cheguei a João Monlevade para trabalhar como médico. Aqui encontrei meu lar, constituí minha família e construí uma história que levarei para sempre. Cuidar da saúde e servir à gente desta cidade continuam sendo duas das maiores honras da minha vida.
(*) Laércio José Ribeiro, médico e prefeito de João Monlevade


