Por: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Medicamentos a classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, serão distribuídos via Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. No entanto, ainda não há data divulgada para distribuição. A oferta, de acordo com o Ministério da Saúde, será feita com base em estudos e na definição de um protocolo clínico.
Em nota, a pasta avaliou como positivos os primeiros resultados observados em pacientes com obesidade do Grupo Hospitalar Conceição, da rede pública de Porto Alegre, selecionados desde junho para fazer uso da semaglutida, um dos princípios ativos das canetas emagrecedoras. “O objetivo é garantir maior segurança aos participantes [do estudo] e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por médicos especialistas da unidade. Ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras morbidades”, informou o ministério.
Dentre as situações avaliadas pelo estudo estão pacientes na fila para cirurgia bariátrica. A proposta é entender se o uso da medicação é capaz de controlar o quadro de obesidade de forma que a cirurgia não se faça mais necessária. Outras questões analisadas são a redução de problemas cardíacos e de reincidência de câncer de mama.
O medicamento previsto para distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS) é semaglutida, princípio ativo base de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy. O tratamento não terá foco estético. Será voltado para casos graves de obesidade, com atenção inicial a pacientes na fila de cirurgia bariátrica ou pessoas com comorbidades associadas (como problemas cardíacos e diabetes).
Atualmente cerca de 1 em 4 adultos no Brasil (25,7%) vive com obesidade no Brasil, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde divulgados pelo levantamento Vigitel, ou seja, mais de 60% da população adulta está acima do peso ideal se somados os dados de sobrepeso e obesidade.
A taxa de obesidade cresceu cerca de 118% entre os dados 2006 a 2024, aumento associado ao consumo frequente de alimentos ultra processados, ao sedentarismo e a mudança nos hábitos de vida.


