Os debates na reunião de quarta-feira (7), na Câmara de João Monlevade, foram marcados pelo rescaldo do primeiro turno das eleições gerais, disputado no último domingo (4). Vários parlamentares agradeceram ao eleitor pela votação nos candidatos que apoiaram, enquanto outros fizeram suas considerações sobre os resultados. Houve desabafos, lamentos, celebração e reflexões diversas.
“Isso não é democracia”
O presidente da Casa, Fernando Linhares (Podemos), foi candidato a deputado estadual, mas não se elegeu, ficando com 2.958 votos em todo o estado, sendo 2.434 em João Monlevade. Ele agradeceu àqueles que o escolheram, mas foi franco ao falar dos resultados da urna como um todo: “Foi uma eleição extremamente acirrada, disputada. Vivemos talvez a maior e a pior eleição que tivemos nos últimos anos”.
Linhares comentou sobre o resultado de Nikolas Ferreira (PL), candidato a deputado federal que obteve 13.856 votos em João Monlevade e 3.119.318 em todo o estado, sagrando-se o candidato à Câmara dos Deputados mais votado de todos os tempos em todos os estados brasileiros. O presidente considerou que o jovem deputado determinou os rumos do sufrágio: “Hoje o Nikolas é a maior referência política do Brasil. Mesmo aquelas pessoas que não concordam, nós temos que respeitar o que o Nikolas Ferreira fez nas eleições de 2026. Sendo deputado federal, conseguiu ter mais votos que muitos governadores, conseguiu ter mais votos que senadores na disputa por Minas Gerais”.
No entanto, Linhares criticou o modelo de eleição parlamentar vigente no Brasil, que usa o sistema de voto proporcional em lista aberta: “A gente precisa fazer de maneira que não aconteça mais de um deputado ter 3,1 milhões de votos e que ele possa eleger candidatos dentro do seu partido com menos de 40 mil votos. E outros partidos com deputados que tiveram 70, 80, 90 mil votos não foram eleitos. Isso não é democracia. Isso não é ouvir a vontade do povo. A vontade do povo é votar e eleger aquele que teve a maior votação nas urnas”, afirmou.
“Distritão”
Fernando Linhares sugeriu que o país adotasse nas eleições legislativas o chamado “distritão”, ou voto único não-transferível. Nesse modelo, simplesmente vencem os candidatos mais votados: numa câmara com dez cadeiras, seriam eleitos os dez mais votados. Isso acabaria com os complicados cálculos de distribuição proporcional e os “puxadores de voto”, e os votos dados aos não-eleitos são desprezados. Seus apoiadores enfatizam que ele é um arranjo de fácil compreensão para o eleitor médio, e que enxuga a quantidade de candidatos.
No entanto, esse regime é muito criticado por tornar as campanhas muito caras, enfraquecer os partidos, desperdiçar muitos votos, representar mal a sociedade no Legislativo e privilegiar os candidatos já célebres e ricos, inibindo a renovação.
Região
Vanderlei Miranda (Podemos) demonstrou decepção com os resultados das urnas, indicando que o Médio Piracicaba ficaria por mais quatro anos sem um representante próprio na Câmara dos Deputados: “A gente vê cidades menores que João Monlevade, regiões menores que a nossa, elegendo um e até dois deputados federais para representar em Brasília. Infelizmente, mais uma vez vamos ficar quatro anos sem deputado federal”.
Miranda também apontou que as Prefeituras ficam à mercê da boa-vontade dos deputados: “Porque hoje, o recurso do Governo Federal está todo na mão dos deputados. E se os deputados ficarem com má vontade de mandar?”. O vereador ainda apontou uma mudança na vida pública: “Nós temos que rever como fazer política. Porque aquela política de ação, de resolver, de discutir projeto, de discutir o desenvolvimento da cidade e do estado, acabou. Para mim, na minha opinião, acabou. Agora, é outro tipo de política”.
PL e PT
O vereador Sidney Bernabé (PL), do mesmo partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, correlacionou a vitória do senador fluminense e a administração petista em João Monlevade: “Monlevade é administrada pelo PT do doutor Laércio. E onde é governado pelo PT do doutor Laércio, o Flávio venceu. As minhas conclusões são que quem ganhou essa eleição para prefeito aqui em Monlevade não foi o PT, foi a imagem do doutor Laércio que venceu essas eleições aqui em Monlevade”. A seguir, Sidney ainda expressou sua felicidade com os bons resultados alcançados pelos candidatos de direita, e seu otimismo para o segundo turno com Flávio Bolsonaro.
A líder do governo, Maria do Sagrado (PT), discorreu sobre a importância do voto consciente e informado, lembrou que o voto afeta a todos os brasileiros e novamente manifestou seu apoio ao presidenciável petista: “É por isso que o meu voto no segundo turno vai ser novamente para Luís Inácio Lula da Silva. Porque, como já foi falado aqui, ele já tem um currículo, ele já fez três mandatos, ele já mostrou, vieram várias, muitas, inúmeras políticas públicas no país, nos estados e nos municípios”. A seguir, ela comparou feitos da gestão federal do partido da estrela com os alegados escândalos envolvendo a família Bolsonaro.


