A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de João Monlevade solicitou esclarecimentos ao Hospital Margarida após denúncias sobre a ausência de médico obstetra plantonista na unidade no último dia 23 de junho. O assunto foi abordado pelo vereador Alysson Barcelos (Avante), integrante da comissão, durante reunião ordinária do Legislativo na quarta-feira (1º).

Na última semana, familiar de uma paciente grávida gravou vídeo nas redes sociais relatando a falta do especialista durante o atendimento na casa de saúde. Segundo o parlamentar, a comissão recebeu informações de que o hospital teria ficado sem médico obstetra por um período de 24 horas e, diante da situação, encaminhou questionamentos formais à instituição para apuração dos fatos.

Alysson destacou que as resoluções técnicas da área médica estabelecem responsabilidades hierárquicas para situações de ausência de profissionais escalados para o plantão. Conforme explicou, na falta do plantonista, a escala deve ser assumida pelo responsável técnico da especialidade e, se necessário, pela direção clínica ou técnica da instituição.

Hospital detalha atendimento

Em nota encaminhada à imprensa, o Hospital Margarida informou que o caso foi devidamente esclarecido à Comissão de Saúde. A casa de saúde ressaltou que a paciente mencionada recebeu assistência médica desde o momento em que deu entrada na unidade.

Segundo a instituição, a gestante foi avaliada pela equipe médica, realizou exames e permaneceu sob acompanhamento contínuo dos profissionais durante todo o período em que esteve no hospital. A direção informou ainda que, diante dos resultados dos exames e visando garantir maior segurança para a mãe e para o bebê, a equipe optou pela transferência da paciente para uma unidade de maior complexidade e referência para o caso.

O Hospital Margarida destacou que não é maternidade de referência para partos de alto risco e que, em casos de alto risco, os pacientes são sempre transferidos. De acordo com a instituição, a transferência para o Hospital Sofia Feldman, em BH, ocorreu em tempo hábil onde aconteceu o nascimento da criança. Segundo a nota, mãe e bebê passam bem e apresentam quadro estável.

A administração do hospital também informou que, na data mencionada pela denúncia, havia uma médica obstetra de referência previamente designada e que a profissional chegou a ser acionada para prestar o atendimento necessário.

O diretor técnico do Hospital Margarida, Marcos André Crim Câmara, também se manifestou sobre o assunto. Em comentário publicado nas redes sociais do A Notícia, ele ressaltou que cabe à direção técnica da unidade adotar as medidas necessárias para garantir a continuidade da assistência às pacientes. “O simples fato de determinar que um profissional assuma o plantão sem o devido conhecimento técnico ou preparo para exercer tais funções não é a solução para o problema e pode colocar vidas em risco”, afirmou o médico.

Marcos André destacou ainda que, durante sua atuação como diretor técnico da instituição, foram realizadas diversas reuniões com o Conselho Regional de Medicina (CRM), além de comunicações encaminhadas ao Ministério Público, na tentativa de buscar soluções para a dificuldade de contratação de médicos obstetras para a unidade. Ele reforçou que nenhuma gestante deixa de receber atendimento inicial no Hospital Margarida. “Ainda que falte o obstetra na escala, nenhuma gestante fica sem o primeiro atendimento e, a partir daí, todas as medidas necessárias são adotadas para assegurar a assistência adequada”, concluiu.