A Comunidade dos Borges, em São Gonçalo do Rio Abaixo, tornou-se a primeira comunidade quilombola certificada do município pela Fundação Cultural Palmares. O órgão é vinculado ao Governo Federal e responsável pelo reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos em todo o país.
A certificação foi formalizada por meio da Portaria FCP nº 239, de 25 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial da União, e da emissão da Certidão de Autodefinição, reconhecendo oficialmente a Comunidade dos Borges como remanescente de quilombo, conforme o processo administrativo nº 01420.101091/2026-69.
O reconhecimento representa uma conquista histórica para as famílias da comunidade. Há gerações, elas preservam práticas culturais, memórias ancestrais, formas próprias de organização social e vínculos profundos com o território.
Processo coletivo
A certificação foi resultado de um trabalho desenvolvido em conjunto entre os moradores da Comunidade dos Borges, o antropólogo Dorian Marques e o defensor dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, Matheus Augusto Santos de Assis.
Ao longo do processo, foram realizadas etapas fundamentais de mobilização comunitária, levantamento histórico, construção da autodefinição coletiva e organização documental necessária para o reconhecimento institucional.
Conforme Dorian, a participação ativa da própria comunidade foi determinante para que a identidade quilombola fosse reafirmada e oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro, respeitando o princípio da autodeclaração garantido pela legislação nacional e por convenções internacionais ratificadas pelo Brasil.
O antropólogo explica que a certificação pela Fundação Cultural Palmares constitui o primeiro passo para uma série de políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas. Entre esses, o acesso a programas de promoção da igualdade racial, fortalecimento cultural, preservação do patrimônio imaterial e futuras etapas relacionadas à regularização territorial.
Segundo lideranças locais, a certificação não representa apenas um documento oficial, mas o reconhecimento da trajetória, da resistência e da ancestralidade que moldaram a história da Comunidade dos Borges.



