Há anos a BR-381 carrega o vergonhoso e triste título de “rodovia da morte”, sustentado pela realidade marcada por acidentes frequentes e perdas de centenas de vidas ao longo de décadas. Os fatos são incompatíveis com a devida importância econômica e social da rodovia.

O trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, especialmente, o que passa no Médio Piracicaba, simboliza o contraste entre uma estrada vital para o escoamento da produção e a integração regional, mas historicamente negligenciada. Curvas sinuosas, pista simples e fluxo intenso de veículos transformaram a BR-381 em um dos maiores gargalos logísticos de Minas Gerais, além de uma ferida aberta para milhares de famílias.

Agora, com o anúncio da autorização do início das obras de duplicação entre Belo Horizonte e Caeté, reacende-se a esperança de enfim essa obra sair do papel. Para a região do Médio Piracicaba, da qual João Monlevade é um dos principais polos, essa obra representa décadas de mobilização política, pressão popular e articulação regional. Inúmeros políticos, lideranças, empresários e movimentos sociais travaram uma longa batalha para tirar esse projeto das promessas e levá-lo ao campo da realidade.

Agora, o anúncio recente do Ministério dos Transportes, com previsão de início das obras ainda em abril, é sem dúvida, um marco. No entanto, será consolidado quando de fato as obras começarem. Ninguém aguenta mais ouvir promessas. E a história da BR-381 é repleta de promessas interrompidas, obras paralisadas e prazos descumpridos.

Por isso, a esperança que agora ressurge vem acompanhada de um olhar atento e, sobretudo, vigilante. A população mineira, especialmente os moradores do Médio Piracicaba e do Vale do Rio Doce, já aprendeu a não celebrar antes da hora. Agora, o que se espera é que a rodovia duplicada finalmente saia do papel e se transforme, enfim, em realidade.