Na Câmara Municipal e na boca popular, a semana em João Monlevade foi marcada pelas discussões e reclamações sobre a mobilidade urbana. O problema já data de muitos anos, sem uma solução definitiva, e as consequências da inação têm se mostrado mais insuportáveis a cada dia.
Hoje, as causas imediatas da dor de cabeça do monlevadense são um semáforo com defeito e a obra de requalificação do trecho urbano da BR-381. Mas, há poucas semanas, as luzes estavam perfeitas, não havia máquinas na pista, e o motorista já se queixava. Isso demonstra que esses problemas não são a causa eficiente dos defeitos de mobilidade: são apenas os gatilhos, as gotas que fazem transbordar a taça.
João Monlevade tem 83 mil habitantes, que vivem em menos de 100 quilômetros quadrados. As ruas de muitos bairros são estreitas, dificultando o mover de veículos, principalmente os pesados. A região central é composta por duas avenidas quase paralelas, que concentram grande parte do comércio e que se tornam pontos de passagem quase obrigatórios. A cidade abriga uma grande frota de caminhões e carretas, que não dispõem de pátios seguros e adequados para estacionamento.
João Monlevade ainda sofre com a opção de décadas do Brasil de concentrar quase todo o seu transporte nas vias urbanas. Porém, o transporte coletivo merece atenção. Nas críticas, ele é minguado, desconfortável, inconstante e ineficiente. Fato é que Monlevade precisa de uma mudança radical em sua política de mobilidade. O trânsito precisa ser repensado, com soluções alternativas e melhoria no transporte coletivo, que necessita de uma completa reestruturação. Certamente haverá quem se desagrade, mas governar às vezes é contrariar. A administração precisará de coragem para resolver o problema, sob pena de vê-lo aumentar até a explosão de uma bomba de inércia. O pavio está aceso e o trânsito, como um todo, não sai da mira.


