Professores de João Monlevade recebem formação antirracista em evento “Tudo que você podia ser”. A iniciativa é  promovida pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) em parceria com a Associação Monlevadense de Afrodescendentes (Amad) e apoio da Secretaria de Educação.  A atividade integra a programação do Festival de Inverno da Ufop, que este ano traz o tema “O sol na cabeça”, em homenagem à obra de Lô Borges, e busca fortalecer práticas pedagógicas voltadas para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

Formação antirracista acontece em duas etapas

A primeira atividade da formação antirracista ocorrerá na segunda-feira (3), das 18h às 22h, no Centro Educacional de João Monlevade. Nessa etapa, os organizadores reunirão cerca de 600 professores da rede municipal em uma palestra que utilizará o legado artístico e cultural do Clube da Esquina como ponto de partida para reflexões sobre equidade racial, cultura e educação.

Já na terça-feira (4), das 8h às 14h, a programação continua com uma oficina de stencil no Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea/Ufop), voltada a 80 representantes das escolas municipais. Os interessados devem realizar as inscrições para essa etapa diretamente na Secretaria Municipal de Educação.

Durante a oficina, os participantes vão:

  • Discutir práticas pedagógicas antirracistas;
  • Produzir ecobags personalizadas com grafismos, símbolos e referências a personalidades históricas do movimento negro;
  • Utilizar a arte como instrumento de valorização da memória, da diversidade e da justiça social.

Secretaria destaca importância da capacitação docente

Segundo a secretária municipal de Educação, Alda Fernandes, investir na formação continuada dos profissionais da educação é fundamental para consolidar práticas pedagógicas comprometidas com o respeito à diversidade. Ela destacou que a Secretaria participa desse encontro em cumprimento às Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Assim, segundo a secretária, capacitar os professores significa dar ferramentas para transformar a sala de aula, combater o racismo e construir uma educação mais justa e plural.

Já a professora Karina Caetano, uma das organizadoras da iniciativa, ressaltou que a proposta utiliza diferentes linguagens para ampliar o debate sobre equidade racial no ambiente escolar. Segundo ela, a oficina funciona como um exercício educativo e de imaginação, que usa o legado do Clube da Esquina para construir alianças antirracistas e fortalecer a escola como espaço democrático.

Por fim, os participantes das duas etapas da formação antirracista receberão certificação oficial emitida pela Ufop, válida como formação continuada.