A região do Médio Piracicaba não pode mais adiar uma pergunta cuja resposta impactará a vida de várias cidades: como será a economia local quando o minério já não ocupar o mesmo espaço de hoje? O questionamento não é novo, mas se torna cada vez mais urgente. Afinal, como costuma lembrar o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho, citando o ex-presidente Arthur Bernardes, “a mineração não dá duas safras”.

Daí a importância de o tema ocupar o centro das discussões das administrações públicas e entidades regionais. Felizmente, nas últimas semanas, movimentos importantes recolocaram o futuro pós-mineração no debate regional. Primeiro, a iniciativa da Agir, voltada à bioeconomia nas cidades mineradoras, transformando rejeitos minerais em ativos para novos produtos.

Depois, o anúncio de um plano de diversificação econômica com R$53 milhões em investimentos estratégicos em São Gonçalo do Rio Abaixo. Agora, a criação da Câmara Técnica de Mineração pela Amepi. Em comum, todas as iniciativas partem da mesma compreensão: o futuro da região exige diversificação econômica.

Não se trata de negar a importância da mineração e da siderurgia, motores do desenvolvimento regional há quase um século. O minério e o aço construíram cidades, empregos e oportunidades. Mas exatamente por conhecer o peso desses setores é que a região precisa preparar o momento em que eles já não terão a mesma capacidade de sustentar sozinhos o desenvolvimento.

A reforma tributária torna esse debate ainda mais inevitável, até por que, esperar os efeitos chegarem para então reagir, seria um erro estratégico. A boa notícia é que existem caminhos. O perfil empreendedor de João Monlevade, confirmado recentemente pela Acimon, mostra que a região possui vocação para construir seu próximo ciclo de desenvolvimento. A questão já não é se haverá diversificação econômica, mas quem começará primeiro a construir o futuro. E isso é pra já!