João Monlevade vive um cenário favorável para quem busca emprego. Em média, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) mantém cerca de 40 vagas abertas por dia e registra aproximadamente 100 oportunidades ao longo de cada mês. O diagnóstico é do coordenador do CAT/Sine em Monlevade, Gilliard Ribeiro.

Há seis anos, ele acompanha de perto o mercado de trabalho no município. Segundo o coordenador, a cidade reúne boas perspectivas de empregabilidade, impulsionadas tanto pelo comércio quanto pela indústria, pela construção civil e proximidade com grandes empresas. “João Monlevade é uma cidade economicamente estável, com geração constante de empregos. O grande desafio hoje não é a falta de vagas, mas encontrar profissionais que atendam aos requisitos exigidos pelas empresas”, afirma.

Atualmente, cerca de 90% das oportunidades cadastradas no Sine exigem ensino médio completo. Para Gilliard Ribeiro, essa passou a ser a porta de entrada para praticamente qualquer profissão formal. “O ensino médio é o primeiro degrau para quem deseja ingressar no mercado de trabalho”, ressalta. Diante desse cenário, ele orienta quem interrompeu os estudos a procurar a Educação de Jovens e Adultos (EJA), considerada hoje uma ferramenta essencial para ampliar as chances de contratação.

Comércio e grandes empresas

A demanda por trabalhadores é diversificada, conforme Gilliard. Além das vagas oferecidas por empreiteiras que prestam serviços para empresas como Vale e ArcelorMittal, o comércio também tem ampliado as contratações. A construção do novo shopping e a chegada de novas redes varejistas e de alimentação, como o Burger King, contribuíram para aumentar a procura por profissionais em diferentes áreas.

Segundo o coordenador, o CAT/Sine atua como intermediador gratuito entre trabalhadores e empresas, oferecendo ainda estrutura para realização de entrevistas sem custos aos empregadores.

Obras públicas

Além da iniciativa privada, investimentos públicos têm contribuído para a geração de empregos em João Monlevade. De acordo com Gilliard Ribeiro, obras como a construção de duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), uma creche, um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e melhorias na estrutura do IFMG têm absorvido mão de obra local e aquecido diversos setores da economia. Segundo ele, esse conjunto de investimentos gera empregos diretos durante a execução das obras e fortalece a circulação de renda no município.

Dicas

Além da qualificação, Gilliard Ribeiro destaca que pequenos detalhes podem ser decisivos durante um processo seletivo. Ele recomenda que o currículo tenha, no máximo, duas páginas, seja objetivo, sem fotografias e livre de erros de português. Na entrevista, pontualidade, proatividade, boa apresentação pessoal e educação também contam pontos. “Muitas vezes, a vontade de aprender e a postura do candidato pesam mais do que a experiência profissional”, observa.

Bolsa Família não impede contratação

Um dos principais esclarecimentos feitos pelo coordenador diz respeito ao Programa Bolsa Família. Segundo ele, ainda existe a falsa ideia de que conseguir um emprego com carteira assinada significa perder, automaticamente, o benefício, o que justificaria menos pessoas no mercado de trabalho.

O coordenador Gilliard Ribeiro explica que isso não acontece em todos os casos. Famílias cuja renda per capita permanece dentro dos critérios estabelecidos pelo programa podem continuar recebendo o auxílio mesmo após a contratação formal de um dos integrantes. Ele lembra ainda que o benefício, atualmente de R$600, possui caráter assistencial e não substitui a renda obtida por meio do trabalho. “R$600 não deixa ninguém preguiçoso”, afirma. Confira a entrevista completa acessando este endereço.