O vereador Belmar Diniz (PT), ex-líder do governo e filho do ex-prefeito e ex-vereador Leonardo Diniz Dias (PT), teceu críticas abertas à política e à gestão do prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro (PT). Na tribuna da Câmara, ele apontou para dificuldades de manter a harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo, e pediu que o prefeito abandone “blindagens” às quais tenha sido posto. No entanto, não disse quais seriam essas.

Em seu discurso, Belmar afirmou não entender o que levou ao estado atual da política e da administração municipal: “Passei quatro anos como líder do governo, fazendo as mediações, tentando dialogar, conversando e tentando ajudar ao máximo. Eu não sei o que está acontecendo. Nós já temos dois anos de governo. Está de mal a pior para mim. Estou sendo muito sincero, eu quero muito ajudar a administração”.

Para o parlamentar, que foi líder do governo petista entre 2021 e o início de 2025, procedimentos comuns da vida parlamentar já não surtem efeito, o que frustra as expectativas do cidadão: “Parece que nossos vídeos, as nossas publicações, os nossos requerimentos, indicações, o que a gente está falando aqui, está entrando aqui, saindo aqui, ó, no governo. Está adiantando mais nada não. Isso não é ameaça, isso é um descontrole de harmonia, presidente”.

O vereador, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde o fim da década de 1980, cobrou o prefeito para manter o diálogo entre a Prefeitura e a Câmara Municipal: “Se o Laércio não tomar as rédeas e não chamar para conversar, e não sentar, e não vir aqui bater um papo ou não convidar os vereadores para ir, eu não sei que vai acontecer”.

Belmar Diniz invocou o legado de seu pai, dizendo que não aprendeu a coadunar com aquilo que é errado, mesmo que o problema venha do seu próprio meio, e evidenciou o isolamento: “‘Ah, tem que lavar roupa suja em casa’. Que casa? Não está nem convidando para casa para conversar”. O parlamentar ainda apelou a que o chefe do Executivo seja mais presente: “Laércio, quero ajudar. Laércio, vamos conversar. Se alguém está te blindando, corta essa blindagem. Você era um cara mais acessível”.

Belmar Diniz envia ofício cobrando respostas

Além das críticas na Câmara, o parlamentar do PT informou que enviou um requerimento cobrando do Executivo informações sobre projetos e ações anunciadas ou em andamento no município. A iniciativa reúne questionamentos de diferentes áreas, entre elas habitação, infraestrutura, Educação e Saúde.

Na área habitacional, Belmar quer saber em que estágio estão as iniciativas relacionadas ao programa Minha Casa, Minha Vida em João Monlevade e quais são as próximas etapas previstas pelo município.

O vereador também pede informações sobre as ações planejadas para o desassoreamento do Rio Piracicaba. A medida é apontada como importante para a manutenção do curso d’água e para a prevenção de problemas durante períodos de chuvas mais intensas. O requerimento busca esclarecer quais providências foram adotadas e como está o planejamento do serviço.

Concurso e novo Cemei

Na Educação, um dos questionamentos é sobre o concurso público para a área, anunciado pelo município. Belmar solicita informações sobre o planejamento do processo, incluindo a previsão para sua realização.

Outro ponto levantado é a implantação de um novo Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) no imóvel onde funcionava a antiga Escola Mickey, no bairro República. O parlamentar quer informações sobre o processo de desapropriação, as adequações necessárias no espaço e a previsão para implantação da unidade. Conforme A Notícia informou, a previsão é que o Cemei atenda 200 crianças.

Oncologia

Na Saúde, o requerimento trata da parceria entre o Hospital Margarida e a Irmandade Nossa Senhora das Dores para viabilizar a implantação de uma unidade regional de oncologia em João Monlevade. Belmar solicita informações sobre o andamento da cooperação e os próximos passos para a implantação do serviço, incluindo a possibilidade de oferta de radioterapia no município.

Conforme A Notícia apurou, até o fechamento desta edição, o requerimento ainda não havia chegado ao Executivo. Quando for entregue, a gestão terá 30 dias para responder ao vereador.