Aos 13 anos, Samuel de Sales carregava madeira como aprendiz em uma marcenaria dos tios. Aos 16, já ajudava o pai descarregando caminhões em uma distribuidora de alimentos (secos e molhados). Hoje, aos 42 anos, está à frente da Disales Distribuidora, empresa que se consolidou no mercado regional e foi reconhecida por cinco anos consecutivos no prêmio 100 Melhores, do Jornal A Notícia. A trajetória foi construída com trabalho, disciplina, espírito empreendedor e fé.

Filho do comerciante Edson Magno de Sales, o “Maguinho”, e de Míriam Perpétua de Freitas Sales, Samuel nasceu em 1984 e cresceu acompanhando a rotina do comércio. O primeiro emprego surgiu ainda na adolescência, quando os tios André e Isaías o convidaram para trabalhar em uma marcenaria depois de vê-lo andando de bicicleta e “pegando rabeira” em um caminhão.

Foi a primeira oportunidade de trabalhar. Ele conta que na oficina, fazia de tudo um pouco. Limpava o ambiente, cortava, lixava e carregava madeira. A experiência lhe ensinou que nenhuma função é pequena quando existe disposição para aprender.
Poucos anos depois, ingressou na distribuidora montada pela família. Começou como ajudante e carregador. “Eu me lembro que recebia R$20,00 por mês na madeireira e, na distribuidora, com o aumento das responsabilidades, meu salário passou para R$80,00”, relembra.

Samuel conta também que não demorou muito para atuar nas vendas da empresa. Naquela época, ele percorria João Monlevade e Bela Vista de Minas de bicicleta para visitar clientes e realizar vendas. No entanto, ele conta que o primeiro dia como vendedor ficou marcado pela frustração. “Não consegui fazer nenhuma venda. Chorei e liguei para a minha mãe que me disse para persistir e levantar a cabeça”, recorda.

O episódio acabou se transformando em um dos principais aprendizados da carreira. Segundo ele, vender exige persistência, mas principalmente, respeito ao cliente e qualidade no atendimento. Durante aproximadamente dez anos, Samuel trabalhou ao lado dos irmãos Sander de Sales e Sara de Sales na empresa da família. O negócio cresceu e chegou a operar com dez caminhões e 31 colaboradores. Enquanto administrava as vendas, ele também atendia no balcão e ajudava no carregamento dos veículos.

Mas Samuel queria abrir seu próprio negócio. Foi nesse período que surgiu uma oportunidade que mudaria sua vida. Ele teve a ideia de produzir gelo, atividade que manteve mesmo após o encerramento da distribuidora familiar. A produção era armazenada na casa dos pais enquanto ele buscava um novo caminho.

A oportunidade apareceu em abril de 2019. Passando pela avenida Castelo Branco, decidiu perguntar ao Marquinho Bicalho, da Distribuidora de Água Igarapé, se gostaria de vender o negócio. “Perguntei a ele numa quarta-feira. No sábado, o acordo foi fechado e, na segunda-feira, 8 de abril de 2019, assumi oficialmente e comecei essa jornada”, relembra.

Uma nova distribuidora

Além da representação da Água Igarapé e da fábrica de gelo, o empreendimento ampliou sua atuação com a comercialização de guloseimas, aluguel de mesas, cadeiras e caixas térmicas. Em 2020, o irmão Sander, conhecido como Sandinho, veio trabalhar com ele. Pouco depois, veio a prima Marina, reforçando o caráter familiar do negócio. Para Samuel, trabalhar ao lado da família exige diálogo, respeito e paciência. “Se não tiver paciência dentro de casa, fora é que não vai ter”, resume.

Com foco no atendimento ao cliente e na diversificação dos serviços, a empresa cresceu e vem conquistando espaço em Monlevade e região. Atualmente, o empreendimento conta com caminhão próprio para distribuição de água mineral, amplia contratos de fornecimento e continua investindo na expansão das atividades. Ao olhar para a própria trajetória, Samuel afirma que o sucesso está ligado aos valores que procurou cultivar desde o início da vida profissional. “Todos nós somos vendedores, independentemente da profissão. O importante é ter compromisso, prazer em atender bem qualquer cliente e orientar a equipe para prestar um atendimento de qualidade. Seguimos enfrentando os desafios com fé no trabalho e buscando viver em paz”, resume.