O vereador Thiago Titó (MDB) levantou a pauta da dificuldade de obter-se um tratamento de canal em João Monlevade. Em discurso na Câmara Municipal, o parlamentar apontou que pacientes esperam por mais de doze meses para obter o procedimento: “Pasmem, vereadores, pasmem! Hoje, tratamento de canal, é no mínimo um ano para a pessoa começar a ser atendida. Nós estamos falando no mínimo de um ano. Será que nós vemos isso com normalidade?”.

O vereador lembrou que muitos dos pacientes que solicitam um canal sentem incômodas dores nos dentes, e deu um exemplo da longa demora por um atendimento de canal: “Tem gente que está sendo chamado que é de julho do ano passado”. Ele também recordou a abertura do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) Antônio Guedes Beserra Neto, no bairro José Elói, e do espaço dentário na Unidade Básica de Saúde (UBS) José Nélson Fagundes, no bairro Novo Cruzeiro.

Thiago Titó afirma que procurou a Secretaria Municipal de Saúde e foi informado de que há apenas três cirurgiões-dentistas habilitados em endodontia, cada um com carga horária de 20 horas semanais, totalizando 60 horas de trabalho especializado por semana.
Conforme o vereador, a Prefeitura aguarda o fim da fase de contenção de despesas, que deve acontecer até o fim deste ano, para contratar um bucomaxilo, um profissional responsável pela extração de dentes do siso, do qual o município atualmente não dispõe, mesmo com grande demanda. “Cobramos medidas para a contratação de profissionais. Afinal, a dor não espera”, desabafou Titó.

Prefeitura explica demora e aponta alta demanda

Após questionamentos sobre a demora na realização de tratamentos de canal em João Monlevade, a Prefeitura informou que o tempo de espera está diretamente relacionado à alta demanda e aos critérios técnicos estabelecidos pelo Estado para organização da fila.

Segundo o Executivo, o atendimento endodôntico, responsável pelos tratamentos de canal, segue as normas definidas no documento “Diretrizes para Regulação do Acesso aos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO)”, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Essas diretrizes determinam que a fila não é organizada por ordem de chegada, mas sim pela classificação de risco, priorizando casos mais urgentes ou complexos.

Ainda segundo o governo, um dos principais fatores para a demora é que o CEO de João Monlevade atua como referência microrregional, atendendo também pacientes de Nova Era, Rio Piracicaba, São Domingos do Prata e Bela Vista de Minas, o que amplia a procura e pressiona a capacidade de atendimento.

Procura alta e tratamentos complexos

De acordo com a administração municipal, os tratamentos de canal estão entre os mais complexos da Odontologia. Na maioria dos casos, o procedimento não pode ser concluído em uma única sessão, o que estende o tempo necessário para finalizar cada atendimento.

Em 2025, a Prefeitura informa que o CEO registrou 1.240 consultas em endodontia, com média de duas sessões por tratamento. Há ainda situações em que um mesmo paciente precisa tratar mais de um dente, aumentando a demanda acumulada. Outro ponto destacado pela Prefeitura é o número elevado de faltas sem aviso prévio. Conforme a administração, mais de 80 ausências já foram registradas no ano, o que prejudica o fluxo de atendimento e o aproveitamento total da agenda.