A onda de calor que atinge Minas Gerais tem movimentado diferentes setores da economia. Enquanto segmentos como bebidas, sorvetes e serviços de climatização registram aumento na demanda, as altas temperaturas também elevam os custos com energia elétrica, refrigeração, logística e podem trazer impactos para a produção de alimentos e café.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), 623 municípios mineiros estavam sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) nesta segunda-feira (29). Em Belo Horizonte, a temperatura chegou a 35,6°C no domingo (27), a maior registrada na capital em 2026 até o momento. A Defesa Civil municipal também apontou possibilidade de um novo recorde durante esta semana.
Calor aumenta consumo de energia
Com as temperaturas elevadas, o uso de aparelhos de ar-condicionado tende a aumentar, tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais e empresas. De acordo com o coordenador de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, o tempo de funcionamento dos equipamentos é um dos fatores que contribuem para o aumento do consumo.
Segundo ele, em períodos de calor intenso, o consumo residencial de energia pode aumentar entre 30% e 40% e, dependendo da intensidade do uso, chegar a dobrar. Um aparelho de ar-condicionado utilizado durante oito horas por noite pode representar um acréscimo estimado de cerca de R$ 240 por mês, considerando uma referência de R$ 1 por hora. A FIEMG ressalta que o valor varia de acordo com o equipamento, sua eficiência e o tempo de utilização.
O aumento da utilização dos aparelhos também movimenta o setor de refrigeração e climatização. Segundo o instrutor de Formação Profissional de Refrigeração e Climatização do SENAI Américo René Giannetti, Caio Alexandre Evangelista, a procura por manutenção e instalação de aparelhos de ar-condicionado cresceu, em média, 150% durante o período de altas temperaturas.
Bebidas e sorvetes ganham espaço
O calor também modifica os hábitos de consumo. Produtos como água, isotônicos, energéticos, refrigerantes, cervejas, sucos e sorvetes estão entre os itens que tendem a registrar maior procura durante os períodos de temperaturas elevadas.
De acordo com o superintendente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG), Cristiano Lamego, dados da Scanntech apontam que, a cada aumento de 1°C na temperatura média, o volume de vendas de bebidas mais sensíveis ao calor cresce, em média, 4,1%.
Em episódios de calor entre 3°C e 5°C acima da média, o setor registra projeções de crescimento de 12% a 20% no volume de vendas em comparação com períodos de temperatura normal. No caso da cerveja, a estimativa citada pela entidade é de aproximadamente 5% de aumento nas vendas para cada 1°C adicional.
O setor de sorvetes também registra crescimento. Segundo o presidente do Sindsorvete-MG, Wander Bertolace, as vendas aumentaram mais de 30% entre julho e agosto e a expectativa para o período seguinte era de crescimento entre 30% e 40%. Caso as temperaturas permaneçam elevadas, o consumo no pico do verão pode chegar a ficar entre 70% e 75% acima dos meses de maio a agosto.
Logística também é afetada
O aumento da procura exige que as empresas adaptem a produção e a distribuição. Segundo o presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG, Vinícius Dantas, o setor precisa responder rapidamente às mudanças no comportamento do consumidor.
Além de aumentar a produção, as empresas precisam garantir que os produtos cheguem aos pontos de venda em quantidade suficiente e mantenham as condições adequadas de conservação durante o transporte. Com isso, a logística passa a ter papel importante para atender aos períodos de maior demanda provocados pelo calor.
Café exige atenção
Os efeitos das altas temperaturas não se restringem aos produtos que têm maior procura no calor. A produção de café também pode ser afetada pelas condições climáticas.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sérgio Meirelles, o calor intenso aumenta a perda de água pelas folhas dos cafeeiros e pode prejudicar a floração. O período é considerado importante para a cultura, já que o plantio ocorre principalmente entre outubro e dezembro, acompanhado pelo início da estação chuvosa.
Após a colheita, as condições de armazenamento também precisam ser controladas para preservar a qualidade dos grãos. A orientação é que o café seja transferido para armazéns e cooperativas, especialmente por se tratar de um produto de alto valor agregado.
O cenário mostra que as altas temperaturas produzem efeitos diferentes sobre a economia mineira. Enquanto alguns segmentos aproveitam o aumento da demanda por produtos refrescantes e serviços de climatização, outros enfrentam custos maiores com energia, conservação, transporte e produção.

