O incêndio de grandes proporções que destruiu, na noite de segunda-feira (22), o galpão da Transportadora Lastro, na avenida Alberto Lima, bairro Sion, expôs a necessidade urgente de reforçar a fiscalização e os cuidados preventivos em estabelecimentos comerciais e industriais da cidade.

Em conversa com o A Notícia, o Tenente Anderson, responsável pelo Posto Avançado dos Bombeiros em Monlevade, reforçou que a tragédia serve de alerta para empresários e autoridades. “Esse incêndio chama a atenção para a importância da prevenção, a segurança da empresa, do imóvel e dos vizinhos. O Corpo de Bombeiros sempre orienta que o empresário se preocupe com a questão preventiva e de cuidados com seu comércio. Vamos fiscalizar cada vez mais para inibir riscos de novos incêndios e tragédias na cidade”, afirmou.

Segundo ele, muitos galpões em João Monlevade não entram no nível de exigência para o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) por causa da metragem, o que dispensa a apresentação de projeto de combate a incêndio. No entanto, o militar alerta que a dispensa não significa ausência de riscos.

“Às vezes o galpão tem 100 ou 200 metros quadrados e é isento de projeto, mas o proprietário armazena materiais altamente inflamáveis, aumentando o perigo. É preciso avaliar a carga de incêndio, e não só a metragem da empresa”, explicou.

O tenente orienta que todos os comerciantes, especialmente os que possuem depósitos ou trabalham com produtos inflamáveis, procurem engenheiros credenciados para elaborar projetos de prevenção e adotar medidas como instalação de sprinklers, detectores de fumaça, extintores, hidrantes e rotas de fuga. “Na dúvida, é só procurar o Corpo de Bombeiros na rua Castanheira, 492, ou ligar para o 193 para receber orientação”, reforçou.

Denúncias e acompanhamento

Além das ações preventivas, a corporação lembra que a população pode colaborar denunciando situações de risco pelo telefone 181, de forma anônima. “Se o morador desconfia de irregularidades em um depósito de gás ou galpão vizinho, pode denunciar. Assim, o Corpo de Bombeiros fiscaliza e evita tragédias”, disse Anderson.
As causas do incêndio ainda serão apuradas pela Polícia Civil, que fará a perícia para determinar se houve falha elétrica, curto-circuito ou outro fator. A Defesa Civil e engenheiros da Prefeitura também avaliam a estrutura do galpão e de imóveis vizinhos para garantir a segurança do entorno.

O incêndio

O fogo começou por volta das 17h30 e consumiu toda a estrutura do imóvel, destruindo equipamentos, mercadorias e ao menos dois caminhões que estavam no local. Apesar da gravidade, não houve vítimas. Ao todo, foram gastos cerca de 250 mil litros de água para controlar as chamas.

A operação de combate mobilizou uma verdadeira força-tarefa. Durante mais de quatro horas, atuaram no local equipes do Corpo de Bombeiros de João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo, Serviço Voluntário de Resgate (Sevor), Defesa Civil, Secretaria de Serviços Urbanos, Brigada da ArcelorMittal Monlevade, Brigada Florestal, Polícia Militar, além de caminhões-pipa de empresas privadas e da Prefeitura. “Sem a união de esforços de todos os parceiros, não teríamos obtido êxito tão rápido”, destacou o Tenente Anderson, que agradeceu publicamente o fundamental apoio recebido das empresas, voluntários e órgãos públicos.