A duplicação da BR-381 voltou ao centro das discussões dos prefeitos do Médio Piracicaba nesta quarta-feira (29), durante Assembleia Geral da Associação dos Municípios do Médio Piracicaba (Amepi). Em uma demonstração de unidade política, os chefes do Executivo decidiram atuar conjuntamente para exigir mais transparência da concessionária Nova 381 e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre os projetos das futuras intervenções na rodovia.

Embora as obras já tenham começado em alguns trechos, os prefeitos afirmam que os municípios impactados pela duplicação ainda desconhecem os projetos executivos. A situação dificulta o planejamento urbano, obras de infraestrutura e investimentos públicos que dependem diretamente das definições da concessão.

A principal deliberação da assembleia foi a elaboração de um ofício, em nome do colegiado da Amepi, solicitando uma reunião com representantes da Nova 381 e da ANTT para apresentação dos projetos previstos para a região. Os prefeitos defenderam que a prioridade da Amepi seja acompanhar especialmente o trecho compreendido entre Nova Era e São Gonçalo do Rio Abaixo, considerado um dos mais sensíveis da concessão por concentrar intenso fluxo de veículos, acessos urbanos e importantes polos industriais da região.

O presidente da Amepi e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique, destacou que a associação atua como a principal voz institucional do Médio Piracicaba na defesa dos interesses comuns dos municípios. “A BR-381 é uma obra que impacta toda a região. O principal trecho é o nosso, no Médio Piracicaba, entre Nova Era e São Gonçalo do Rio Abaixo. Precisamos conhecer os projetos, discutir prioridades e garantir que as intervenções atendam às necessidades dos nossos municípios. A força da Amepi está justamente na união dos prefeitos em torno das pautas regionais”, afirmou.

Durante a discussão, diversos gestores manifestaram preocupação com a ausência de informações técnicas. O prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro, observou que as obras paliativas já começaram no município, mas ainda não há clareza sobre como ficará o projeto definitivo. O prefeito disse ter dúvidas sobre como ficariam futuras intervenções, nos acessos urbanos, redes de água e esgoto, estradas vicinais e outros investimentos que poderão ser diretamente afetados pelas obras da concessionária.

A prefeita de Bela Vista de Minas, Samantha Àvila, relatou preocupações apresentadas pela população sobre possíveis alterações no traçado da rodovia e seus impactos em áreas consolidadas do município. “A rodovia passa em dois bairros de nossa cidade e não sabemos nada do projeto”, afirmou. Ela também disse que a Nova-381 chegou a propor a retirada do cemitério da cidade, já que o local estaria dentro da faixa de domínio da rodovia. “Totalmente inviável”, afirmou Samantha.

Outro encaminhamento aprovado foi a reivindicação para que a concessionária realize melhorias nas estradas vicinais utilizadas como rotas alternativas durante a execução das obras na BR-381, reduzindo impactos para moradores, produtores rurais e facilitando o acesso durante interdição de vias.

A assembleia também recebeu o coordenador do Movimento Pró-Vidas da BR-381, Clésio Gonçalves, que apresentou uma atualização sobre o andamento das intervenções na rodovia e defendeu maior participação dos municípios no acompanhamento da concessão. Entre as propostas apresentadas pelo movimento está a criação de um Painel de Acompanhamento da Rodovia (PAR), ferramenta que permitiria monitorar o cronograma das obras, discutir prioridades e ampliar a transparência das ações desenvolvidas ao longo da BR-381. A participação do Pró-Vidas reforçou o entendimento dos prefeitos de que o diálogo permanente entre concessionária, órgãos federais e lideranças regionais será fundamental para que as obras atendam às demandas históricas do Médio Piracicaba.