(*) Eliana Bicalho

Janeiro Branco é uma campanha nacional de conscientização sobre saúde mental, criada em 2014 e hoje reconhecida por lei federal nº 14.556/2023 como mês oficial de promoção e reflexão sobre o tema. É um movimento da sociedade civil que nos convida a colocar a saúde mental no centro das prioridades. Em 2026, o chamado é simples e urgente: “cuidar da mente precisa ser um compromisso coletivo”.

A campanha chama a atenção para a Saúde Mental como um aspecto vital para melhorar a qualidade de vida das pessoas, promover relações sociais mais saudáveis e transformações positivas nas instituições sociais no mundo inteiro. O mês de janeiro foi estrategicamente escolhido por ser o primeiro mês do ano, o que promove nas pessoas abertura para reflexões, planejamentos e metas para o ano que se inicia. A cor branca representa as folhas ou telas em branco, em que uma pessoa pode desenhar, escrever ou reescrever o que desejar para si e para o mundo, simbolizando um horizonte aberto e criando o sentimento de potência ilimitada que cada início de ano possibilita à humanidade.

A campanha não é ligada diretamente ao Ministério da Saúde (MS), que tem o dia 10 de outubro como o Dia Nacional da Saúde Mental, e também o Dia Mundial da Saúde Mental, instituído pela Federação Mundial de Saúde Mental em 1992 para conscientizar sobre a importância do bem estar psicológico, promover a empatia e a busca por cuidados, destacando que saúde mental é um direito universal e essencial para todos, não um luxo, com foco na prevenção e no acesso a tratamentos, com mobilizações anuais que visam melhorar o conhecimento e ações práticas para a saúde mental, especialmente no trabalho.

O MS alinha e integra essa campanha social com políticas públicas, serviços e diretrizes da saúde mental que já existem no âmbito do SUS, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), rede de serviços que o SUS organiza para oferecer cuidados à saúde mental, com serviços como: Unidades Básicas de Saúde (UBS) com atendimento inicial e acolhimento; Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com atenção especializada; Centro de Convivência (Ceco); E-Multi, que são as equipes multidisciplinares na Atenção Primária da Saúde, com presença de profissionais da saúde mental; Leitos em hospitais gerais.

Mas sempre é bom estarmos atentos para que o cuidado em saúde mental seja de forma contínua, conforme um documento do Conselho Federal de Psicologia, que promove interna e externamente a ideia de que: O cuidado com a saúde mental deve ir de “janeiro a janeiro”, ou seja, o cuidado deve ser permanente e não apenas concentrado em um mês específico ou em momentos de crise. Esse trabalho inclui reflexão, promoção de direitos e políticas públicas, não apenas ações pontuais.

(*) Eliana Bicalho Ferreira de Almeida é psicóloga e coordenadora da Divisão de Saúde Mental de João Monlevade/SMS/PMJM