(*) Sinézio Santiago

Após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos (EUA),a geopolítica mundial vem passando por grandes transformações globais. A América, uma das maiores potências mundiais, tem um presidente que simplesmente não respeita tratados e nem os organismos internacionais.

Com sua postura chantagista, Donald Trump aproveita do seu poderio militar e não respeita a soberania de países e quer “levar na mão grande” as suas riquezas. Depois da Venezuela, agora é a vez da Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca. E ainda, quer montar um Conselho de Paz para administrar Gaza e convidou lideranças e alguns países para participar desse conselho. Os países participantes entrariam com uma contrapartida de US$1 bilhão de dólares cada para fazer parte de um mandato de 3 anos. Só que ele não convidou nenhum representante de Gaza… Deveria ser cômico, se não fosse tão sério.

Essa escalada do autoritarismo dos Estados Unidos coloca o mundo em risco permanente. Afinal, os governantes não têm um minuto de sossego. No Fórum Econômico de Davos, Trump deixou claro as suas pretensões militares no continente e a Groenlândia seria o centro de defesa contra a China e a Rússia. Ali, os Estados Unidos construiriam um Domo de Ouro para derrubar mísseis inimigos.

Ele repudiou as falas dos líderes europeus contrários à sua posição, alegando que a Dinamarca e a Groenlândia não têm como se defender de China e Rússia, como se esses países estivessem em guerra. A suposta compra da Groenlândia pelo governo norte-americano, já mobilizou forças militares de alguns países. Aliás, nações aliadas ao próprio Estados Unidos juntas na OTAN. Donald Trump faz ameaças, chantageia e, ao mesmo tempo em que impõe tarifas, às retira, sabendo que a Europa não se curvará aos seus caprichos. Ou seja, é melhor ter o livre comércio do que ser taxado também.

Na verdade, o presidente Trump quer se auto proteger de concorrentes militares, como China e Rússia que detém as tão chamadas terras raras que são importantes para os avanços tecnológicos. E, é exatamente esse o interesse na Groenlândia, por ser rica em terras raras e muito petróleo. O mesmo interesse que teve pelo petróleo na Venezuela. Historicamente, os Estados Unidos não promovem nenhuma ação bélica onde não possam tirar proveito para si, e isso, incomoda vários países que ficam com os prejuízos da reconstrução.

Donald Trump é um mentiroso contumaz, não gosta de ser contrariado e o seu maior inimigo, hoje, é a própria democracia que o elegeu. Vazam em sua própria rede social, conversas privadas com líderes mundiais, não respeitando o sigilo de segurança entre nações. Ele vende para o mundo a ilusão de que os Estados Unidos vivem o pleno emprego e uma inflação baixa. O que não é uma realidade.

Ao contrário, o presidente teve que recuar em algumas tarifas impostas a alguns países, pois isso afetava diretamente a economia americana. Internamente, os americanos começam a sentir o efeito Donald Trump, com ameaças a canais de TV e jornalistas que cobrem a Casa Branca. As críticas às atitudes do presidente já começam a pipocar entre políticos do seu próprio partido, o Republicano.

As suas atitudes de ataques e recuo fortalecem muito o Partido Democrata. As eleições para Senadores e Câmara dos Representantes no meio do mandato de Trump, vão realmente comprovar se ele tem essa força toda com o eleitorado, pois pesquisas de opinião mostram um grande índice de rejeição no seu jeito de governar. Governos autocratas e ditatoriais são um risco para a democracia mundial, inclusive para o Brasil (lembre-se do tarifaço), trazendo incertezas, insegurança e medo. Só gosta de ditadura, quem está do lado de quem bate.

(*) Sinézio Vilela Santiago é aposentado