O fim das eleições 2026 repercutiu na Câmara de Monlevade. Vários vereadores defenderam o respeito ao resultado das urnas e às diferentes convicções políticas, o fim da intolerância, das provocações e dos ataques nas redes sociais e a necessidade de que as divergências partidárias deem lugar ao diálogo e à união em favor da população. Vários deles repudiaram ainda listas de boicotes a estabelecimentos comerciais por motivação política, lembrando que comerciantes e trabalhadores não devem ser prejudicados por disputas eleitorais.

Os parlamentares também defenderam a continuidade das obras e serviços do município e do trabalho conjunto entre os representantes políticos. Monlevade tem R$25 milhões em obras, além de outros R$25 milhões previstos nas obras do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).

O presidente do Legislativo, Fernando Linhares (Podemos), fez coro aos pedidos de pacificação na política. “Houve um momento de exacerbação, de violência, de intolerância, de preconceito, de discriminação. E isso é o tipo de coisa que nós, não podemos aceitar. Nossa população, de forma geral, acordou, e é totalmente contra a intolerância, e ficou demonstrado que não vamos mais aceitar nenhum tipo de extremismo político no Brasil”.

Filho de pai nordestino, Zuza Veloso (Avante) repeliu a afirmação de que “nordestinos tinham que comer capim”, e criticou a animosidade entre os militantes dos dois candidatos: “Nunca vi uma política tão perigosa como essa! Todo dia você está escutando as coisas na rede social. Está até perigoso você se pronunciar na rede social”. Carlinhos Bicalho (PP) desejou bênçãos aos novos governantes.

Abertamente cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), Sinval Dias (PL) manifestou preocupação com a situação financeira do município e do país. Ele apresentou números que, segundo ele, indicam queda na arrecadação e aumento dos gastos da Prefeitura, com possíveis dificuldades para fechar as contas.

Alysson Barcelos citou os quatro “H” que ele considera indispensáveis aos gestores públicos: humildade, habilidade, humor e honestidade. Por sua vez, Vanderlei Miranda (Podemos) afirmou que “o povo venceu a soberba e a arrogância”, e chamou a atenção para o progresso vivido por João Monlevade e pelo Brasil:  Nos últimos 20 anos, olha o tanto de novos empresários que surgiam em Monlevade! Mas se cresceram, se evoluíram, é porque o país está bom! O país estava dando oportunidade, o país estava dando condições de empreender e crescer”.

A líder do governo na Câmara Municipal, Maria do Sagrado (PT), foi outra a condenar as “listas de boicote”, e citou a análise do cientista político monlevadense Thiago Henrique dos Santos: “Elas acham que estão prejudicando um partido político, o presidente da República ou o prefeito daquela cidade. Elas estão prejudicando as pessoas, elas estão prejudicando a cidade, o comércio, as políticas públicas”.

Leles Pontes (Republicanos) também apelou à pacificação e conclamou a todos a trabalharem juntos por uma cidade melhor. “Agora é torcer que a cidade caminhe, que o presidente cumpra as suas promessas”.

Filho do ex-prefeito Leonardo Diniz Dias (PT, 1989-1992), Belmar Diniz (PT) também expressou alegria com o triunfo de Lula. Ele ainda conclamou a direita a uma reflexão, aludindo à saída de Flávio Bolsonaro do território nacional. “Liderar não é estar presente apenas os momentos da vitória, mas também assumir responsabilidade de demonstrar lealdade e permanecer do lado daqueles que confiaram no seu projeto, não fugir para outros países”.

Thiago Titó (MDB) foi outro a pedir paz, e alertou para os desafios do município. “Eu espero mesmo que o município esteja bem alinhado, para que nossa população de João Monlevade possa buscar mesmo esses frutos que tanto foram falados em campanha”, afirmou.