O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), Flávio Cordeiro de Paiva, usou nessa quarta-feira (28) a Tribuna Popular da Câmara para pedir a pacificação da sociedade após as eleições presidenciais. Após a divulgação do resultado e a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), circulou pelas redes sociais uma lista de empreendimentos geridos por comerciantes supostamente petistas, e pedindo que eleitores de direita os boicotassem.

Também circulou a informação de que haveria uma lista de comerciantes pretensamente conservadores, que deveriam ser abandonados por esquerdistas na cidade. Listas como essas foram divulgadas em vários municípios brasileiros, gerando indignação entre lojistas e associações comerciais.

Em seu discurso, Flávio enalteceu o processo democrático e a mobilização da militância, em especial dos mais jovens. O sindicalista também repudiou a fratura dos vínculos sociais pela radicalização política, com rompimento de amizades e relações com familiares e colegas de trabalho: “Precisamos compreender que ter uma opinião política diferente não transforma ninguém em inimigo. A democracia pressupõe a diversidade de pensamentos, pressupõe o direito de discordar, de criticar, de defender projetos políticos diferentes e, sobretudo, o dever de respeitar o direito do outro”.

Flávio Paiva condenou as listas de boicote a estabelecimentos comerciais, o incentivo a que empregadores demitissem funcionários por suas preferências políticas e a afirmação de alguns médicos de que não atenderiam pacientes com divergências ideológicas: “Desde quando o voto de um cidadão pode determinar se ele merece ou não manter o seu emprego? Desde quando a preferência política de uma de um comerciante pode justificar campanhas organizadas para prejudicar o seu sustento e de sua família? Desde quando a convicção partidária de um paciente pode ser utilizada como critério para determinar se ele merece ser atendido ou não? Isso não é debate político, isso não é exercício saudável da democracia: isso é intolerância, é discriminação, e não podemos permitir que esse comportamento seja normalizado em nossa sociedade”.

O presidente do Sindmon-Metal manifestou firme defesa da liberdade do cidadão de votar e de manifestar sua preferência em quem quiser, sem discriminações ou represálias: “E quero deixar algo muito clado: nossa posição não é uma defesa exclusiva daqueles que votaram o presidente Lula. Se amanhã trabalhadores, comerciantes ou profissionais identificados como direita forem vítimas das mesmas práticas, nossa condenação será exatamente a mesma”.

Flávio Cordeiro ainda conclamou os vereadores de João Monlevade a assumirem um compromisso de combaterem a intolerância e a violência política. O sindicalista concluiu lembrando que o processo eleitoral terminou, e que os cidadãos precisam estar em união para resolver os problemas da coletividade: “O resultado das urnas não pode dividir definitivamente uma nação, muito menos uma comunidade como a nossa. Em João Monlevade, continuaremos convivendo uns com os outros, nos mesmos bairros, trabalhando nas mesmas empresas e compartilhando os mesmos desafios. Teremos que continuar lutando por melhores condições de saúde, educação, segurança, emprego, renda e qualidade de vida. E nenhum desses desafios será resolvido alimentando o ódio entre pessoas que pensam diferente […] Que jamais aceitemos que um cidadão brasileiro seja humilhado, discriminado ou privado dos seus direitos, simplesmente por pensar ou votar diferente”.