A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, denunciou ter recebido ameaças de morte, estupro e ataques racistas durante a campanha eleitoral deste ano. As mensagens foram encaminhadas por e-mail no dia 5 de setembro, quando ela ainda disputava uma vaga na Câmara dos Deputados. O caso foi levado à Polícia Civil de Minas Gerais, que informou que a investigação permanece em andamento.

Segundo informações divulgadas pelo g1, o autor das mensagens afirmou integrar um grupo supremacista branco e fez referências a dados pessoais de Ana Elisa, numa tentativa de demonstrar que teria informações suficientes para localizá-la. O conteúdo também continha ameaças contra familiares da então candidata.

Ana Elisa divulgou nas redes sociais alguns trechos das mensagens. O conteúdo apresentava ataques direcionados à condição de mulher negra e à atuação política da candidata, além de ameaças de violência sexual e de morte. A equipe jurídica da parlamentar eleita informou que tomou as medidas policiais e judiciais necessárias para tentar identificar o responsável.

A Polícia Civil confirmou ao g1 que o caso está sendo investigado, mas não divulgou detalhes sobre as diligências ou sobre a eventual identificação de suspeitos. A equipe de Ana Elisa também optou por não divulgar integralmente as mensagens nem identificar publicamente o grupo citado pelo remetente, alegando razões de segurança.

Deputada mais jovem de Minas Gerais

Ana Elisa foi eleita deputada federal nas eleições de 2026 com cerca de 524 mil votos. O resultado fez dela a deputada federal mais jovem já eleita por Minas Gerais e também a parlamentar mais jovem a chegar à Câmara dos Deputados no país. Ela tinha 21 anos no momento da eleição.

Natural de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas, Ana Elisa é estudante de Direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) antes de ingressar na disputa eleitoral. A eleição deste ano foi sua primeira participação em uma disputa por cargo eletivo.

Apesar de ter entrado na política institucional apenas em 2026, sua aproximação com o debate político começou ainda na infância. Em entrevista ao Brasil de Fato, Ana Elisa contou que acompanhava a mãe, professora da rede pública e sindicalista, em congressos e atividades do movimento dos professores. A experiência familiar, segundo ela, teve influência na formação de sua visão política.

Mais tarde, Ana Elisa ganhou projeção principalmente pelas redes sociais, produzindo conteúdos sobre política, racismo, feminismo, educação e direitos sociais. Antes da candidatura, sua atuação política estava concentrada nesse ambiente digital. O convite para disputar uma vaga na Câmara surgiu em março deste ano, quando ela já possuía uma grande audiência na internet.

A campanha foi construída principalmente nas redes sociais e ajudou a jovem a alcançar milhões de seguidores. Segundo a Agência Brasil, sua candidatura também defendeu propostas como o passe livre universitário intermunicipal, o fortalecimento do ensino público, políticas de primeiro emprego, combate ao racismo e à desinformação e o fim da escala 6×1.

Ana Elisa não foi a única candidata ameaçada

O episódio envolvendo Ana Elisa ocorreu em um contexto mais amplo de denúncias de violência política contra mulheres durante as eleições de 2026. Segundo levantamento divulgado pelo Brasil 247, outras candidatas do PT em Minas Gerais também relataram ter recebido ameaças de morte e estupro durante a campanha.

Entre os casos citados estão os de Ana Elisa Silva, Bella Gonçalves e Andréia de Jesus. De acordo com a publicação, as candidatas registraram boletins de ocorrência entre os dias 5 e 11 de setembro. Os episódios passaram a ser analisados pelas autoridades diante da possibilidade de caracterização de violência política de gênero.

No caso de Ana Elisa, além das ameaças de morte e violência sexual, o conteúdo recebido apresentava ataques de caráter racista. A situação, portanto, envolve diferentes formas de violência direcionadas à participação de mulheres negras na política.

A equipe da deputada eleita classificou o episódio como uma tentativa de intimidação e afirmou que ameaças, racismo e violência política não devem ser tratados como parte normal da disputa eleitoral.

A investigação sobre o caso continua sob responsabilidade da Polícia Civil. Ana Elisa deverá assumir o mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027.

Fonte G1 brasil247