A Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi) promoveu, nesta quarta-feira (1º), duas agendas voltadas ao planejamento regional, à sustentabilidade e ao desenvolvimento econômico dos municípios da região.

Pela manhã, a entidade recebeu representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH-Piracicaba) para discutir ações conjuntas relacionadas à gestão dos recursos hídricos. Durante o encontro, a Amepi defendeu a ampliação da participação regional nas decisões do comitê, com a criação de espaços para representantes da associação e do Consórcio Regional de Saneamento Básico (Corsab).

Entre os assuntos debatidos estiveram o desassoreamento dos rios como medida de prevenção a enchentes, melhorias nos sistemas de drenagem urbana, a atualização dos Planos Municipais de Saneamento e o desenvolvimento de projetos ambientais, como o programa Rio Vivo.

Segundo o presidente da Amepi, o prefeito de Rio Piracicaba Augusto Henrique da Silva (Cidadania), a integração entre municípios e instituições ligadas à gestão das águas é fundamental para garantir a segurança hídrica e a preservação ambiental da região.

Pós-mineração

No período da tarde, a associação realizou o primeiro encontro da recémcriada Câmara Técnica de Mineração, reunindo secretários municipais das áreas de Desenvolvimento Econômico e Planejamento, além de representantes da ArcelorMittal Monlevade, Bemisa, Mineradora Positivo, Rac Soluções e Vale.

A proposta é criar um canal permanente de diálogo entre os municípios, a Amepi e as mineradoras, permitindo a discussão de pautas estratégicas para o futuro econômico do Médio Piracicaba. Um dos principais temas foi a construção de um plano regional de desenvolvimento para o período pósmineração, com foco na diversificação econômica e na redução da dependência histórica da região em relação à mineração e à siderurgia.

Entre as alternativas discutidas estão o fortalecimento do turismo, da cultura, do artesanato, dos projetos ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de iniciativas relacionadas ao mercado de créditos de carbono e à criação de ações integradas entre os municípios.

Também entrou na pauta o fortalecimento dos fornecedores locais para compras públicas e junto a empresas sediadas no Médio Piracicaba. Entre as propostas apresentadas estão a realização de rodadas de negócios e a criação de plataformas para cadastramento de fornecedores e prestadores de serviços da região.

Outro tema debatido foi a reforma tributária e a necessidade de os municípios se prepararem para possíveis impactos na arrecadação. Dados da Associação Brasileira de Municípios Mineradores (Amig) apontam que diversas cidades mineradoras poderão registrar perdas de receita significa nos próximos anos, reforçando a importância de capacitações e discussões técnicas sobre o assunto.

Para o presidente da Amepi, Augusto Henrique, as iniciativas representam mais um passo na construção de políticas regionais de longo prazo. “Precisamos discutir o futuro da região de forma integrada, pensando tanto na preservação dos recursos hídricos quanto na diversificação econômica e na preparação dos municípios para os desafios que estão por vir”, afirmou.