A transferência das operações da rodoviária de João Monlevade para um ponto de embarque e desembarque gerou polêmica e desgastes, nesta semana, em Monlevade. A alteração poderia ter sido conduzida como uma solução administrativa necessária. Porém, transformou-se em mais um episódio de ruído político e insatisfação popular.

A ideia de transformar o antigo terminal rodoviário, que operava com prejuízo, em nova sede do Corpo de Bombeiros, Samu e a Defesa Civil, representa um ganho para a cidade. Principalmente, com economia financeira.

O problema é que a sociedade tomou conhecimento da decisão praticamente ao mesmo tempo em que ela começou a ser executada. Faltou uma explicação prévia sobre a mudança e a adequação de um espaço minimamente confortável para os cidadãos. Ao contrário, foi montada uma estrutura precária, com guichê de venda de passagens, dois banheiros (masculino e feminino) com apenas um sanitário cada e uma pequena lanchonete. O ponto gerou muitas críticas de usuários e vereadores, que cobraram mais diálogo institucional.

A Câmara Municipal de João Monlevade, independentemente de concordar ou não com a medida, deveria ter sido comunicada e envolvida no debate prévio. Afinal, o Legislativo é a principal representação política da população. Por outro lado, se era para alinhar-se ao Posto Cinco Estrelas em um terminal rodoviário anexo, por que isso não foi feito antes de se instalar o ponto de embarque e desembarque que gerou toda a polêmica?

Na gestão pública, comunicar e planejar mudanças não é um detalhe, nem uma etapa opcional. É parte da própria política pública. Quando as informações não chegam de forma organizada e antecipada, o espaço é ocupado por dúvidas, especulações e versões desencontradas. O resultado é conhecido: desgaste para a administração, mal-estar entre os poderes e uma população sem compreender exatamente por que uma decisão importante foi tomada. Governar é também dar satisfação a quem mais importa: os cidadãos.