O anúncio da realização do concurso público provocou forte reação dos vereadores na reunião desta quarta-feira (17). O alvo das críticas foi o presidente da Casa, Fernando Linhares (Podemos), acusado por diversos parlamentares de não dialogar previamente sobre o tema e de conduzir o processo sem discussão com os demais membros do Legislativo.

O primeiro a abordar o tema foi o vereador Vanderlei Miranda (Podemos). Da tribuna, ele falou que o concurso terá impacto na estrutura administrativa da Câmara e, por isso, deveria ser amplamente discutido entre os parlamentares antes de ser anunciado.

Vanderlei também destacou que os vereadores têm sido procurados pela população com questionamentos sobre o concurso, mas eles não possuem informações sobre o processo.
Em resposta, o presidente Fernando Linhares defendeu a realização do concurso público e disse que o processo é um ato administrativo e discricionário da presidência e por isso não é necessário ser debatido em plenário. Ele ainda argumentou que o assunto já deveria ser de conhecimento dos vereadores, uma vez que o processo está disponível no sistema de tramitação da Câmara.

Durante sua fala, Fernando Linhares também revelou a expectativa de concluir todas as etapas do concurso ainda em 2026, incluindo a nomeação dos aprovados. Segundo ele, a intenção é encerrar seu mandato à frente da presidência da Câmara com a realização do certame.

Em sequência, outros vereadores também criticaram o presidente. Sinval Dias (PL) afirmou que “todo poder tem limite” e criticou o que classificou como “excesso de vaidade” e “criação de conflitos desnecessários”. Para ele, o desgaste poderia ter sido evitado com uma discussão prévia entre os parlamentares.

O vereador Alisson Barcelos (Avante) disse ter se sentido ofendido pelas declarações do presidente em resposta a Vanderlei e afirmou que faltaram humildade e respeito no tratamento aos colegas. Na mesma linha, Zuza Veloso (Avante) afirmou que a notícia sobre o concurso pegou todos de surpresa e lamentou o clima interno da Casa.

Diante das manifestações, Fernando Linhares pediu desculpas caso algum vereador tenha se sentido ofendido. No entanto, reforçou o entendimento de que os parlamentares devem buscar conhecimento técnico e jurídico sobre os assuntos discutidos na Câmara.

Clima

Porém, as declarações não encerraram a polêmica. Marquinho Dornelas (Republicanos) afirmou que também se sentiu ofendido e criticou a ausência de construção coletiva do projeto. Ele classificou o ambiente na Câmara como “bastante desconfortável”. Dornelas lembrou que já disputou a presidência da Câmara em duas oportunidades e colocou novamente seu nome à disposição para a próxima eleição da Mesa Diretora. Segundo ele, caso venha a presidir a Casa, pretende manter diálogo permanente com vereadores e servidores.

Leles Pontes (Republicanos) foi outro a destacar a importância do diálogo para que os vereadores possam repassar informações corretas à população. Carlinhos Bicalho (PP) também reclamou da falta de comunicação entre a presidência e os demais vereadores. Sidney Bernabé (PL) alegou que se o assunto tivesse sido construído coletivamente, a situação seria diferente. O parlamentar ainda se posicionou contra a realização do concurso público neste momento. Ele também questionou a contratação de dois motoristas pela Câmara, avaliando que a medida não seria necessária.

Por fim, o vereador Thiago Titó (MDB) fez uma reflexão sobre o episódio e ressaltou que temas relevantes não devem ser tratados de forma apressada e sem harmonia entre os membros da Casa. Em nova manifestação, Fernando Linhares afirmou que a democracia permite o contraditório e que todos os vereadores têm o direito de apresentar críticas e discordâncias.