João Monlevade tem mais filiados em partidos políticos do que a população de muitos municípios da região. Levantamento do A Notícia junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a cidade tem 8.502 pessoas oficialmente vinculadas a alguma legenda, o equivalente a quase 14% dos 61.354 eleitores aptos a votar na cidade nas eleições de 2026.

Embora os números mostrem que a política partidária ainda mantém uma base expressiva no município, ao mesmo tempo, revelam um cenário de envelhecimento, pouca renovação e perda gradual de força das legendas ao longo da última década. O maior partido da cidade é o MDB, legenda da vice-prefeita Dorinha Machado e dos vereadores Thiago Titó e Revetrie Teixeira. Sozinho, o partido reúne 2.498 filiados, quase três vezes mais que o segundo colocado, o PRD, ligado ao ex-prefeito Carlos Moreira, mas nenhum vereador, com 900 integrantes.

Em seguida surge o PP, do vereador Carlinhos Bicalho, com 750 filiados. O PT, partido do prefeito Laércio Ribeiro e que tem dois vereadores na Câmara (Maria do Sagrado e Belmar Diniz), ocupa a quarta posição, com 709 filiados.

Logo, aparecem o Partido Democrático Trabalhista (PDT), com 441 membros; o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), com 405; o União Brasil, com 351; o Mobilização Nacional (Mobiliza), com 348, e o Partido Liberal (PL), que tem os vereadores Sinval Dias e Dr. Sidney, com 278.

João Monlevade ainda possui 258 filiados do Agir; 255 do Podemos, entre esses, os vereadores Fernando Linhares, presidente da Câmara, e Vanderlei Miranda; 197 do Partido Verde (PV); 195 do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), 143 do Avante, como os vereadores Alisson Barcelos e Bruno Cabeção; 130 do Partido Socialista Brasileiro (PSB), 123 do Cidadania, do vereador Sassá Misericórdia; 110 do Solidariedade e 103 do Republicanos, que tem os vereadores Leles Pontes e Marquinho Dornelas.

Outros partidos possuem menos de uma centena de militantes, como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), com 99; o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), com 58; o Partido Social Democrático (PSD), com 41; o partido Novo, com 39; a Rede Sustentabilidade, com 24; o Partido Socialismo e Liberdade (PSoL), com 18; e a Democracia Cristã (DC), com 12.

As legendas com menos integrantes em João Monlevade são a Unidade Popular (UP) e o Missão, com oito cada uma, e o Partido da Causa Operária (PCO) e o Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), com três cada um.

Desafio da renovação

Os números ajudam a medir o peso das estruturas partidárias locais, mas escondem um fenômeno que preocupa dirigentes de praticamente todas as legendas: a dificuldade de renovação. Dos 8.502 filiados existentes hoje em João Monlevade, 7.169 estão inscritos há mais de dez anos. Isso significa que mais de oito, em cada dez militantes, permanecem vinculados a algum partido desde antes de 2016.

O dado mais emblemático está na entrada de novos integrantes. Em um ano inteiro, os partidos conseguiram atrair apenas 42 novos filiados, número que representa menos de meio por cento do total de militantes registrados na cidade. A baixa adesão de novos membros acompanha uma tendência nacional de distanciamento dos eleitores em relação às estruturas partidárias tradicionais. Em Monlevade, o reflexo aparece também na comparação histórica: em maio de 2016, a cidade contabilizava 10.233 filiados. Dez anos depois, o contingente caiu para 8.502, uma redução de quase 17%.

Política de “cabelos brancos”

A faixa etária predominante entre os filiados reforça a dificuldade de renovação. Um em cada três militantes partidários da cidade tem entre 60 e 69 anos. São 2.884 pessoas nessa faixa, o maior grupo entre todos os registrados no TSE. Na outra ponta, os jovens praticamente desapareceram dos quadros partidários. Atualmente, apenas 195 filiados têm entre 18 e 34 anos, o que corresponde a 2,3% do total.

Os números sugerem que os partidos continuam sustentados principalmente por lideranças históricas, antigos cabos eleitorais e militantes de longa trajetória, enquanto encontram dificuldades para atrair uma nova geração para a vida partidária.

Perfil popular

Os dados também traçam um retrato social da militância monlevadense. A escolaridade predominante é o Ensino Fundamental incompleto, condição de 2.657 filiados, ou 31,3% do total. Já os portadores de diploma universitário representam menos de 10% da base partidária da cidade. O Ensino Médio completo aparece em segundo lugar, com 2.064 filiados.

Entre homens e mulheres, o equilíbrio é praticamente total. As mulheres representam 51% dos filiados, enquanto os homens somam 49%. No estado civil, predominam os casados, que correspondem a 52% dos integrantes das legendas. Solteiros representam 34%, enquanto divorciados e viúvos somam cerca de 13%.

Força eleitoral ou força burocrática?

Embora os números indiquem que os partidos ainda mantêm uma presença significativa em João Monlevade, especialistas costumam destacar que filiação não significa necessariamente participação política ativa. O retrato desenhado pelos dados do TSE mostra legendas com milhares de nomes registrados, mas que envelhecem, perdem integrantes ao longo dos anos e encontram dificuldades para mobilizar novos militantes.
Em uma cidade que se prepara para os próximos ciclos eleitorais, o desafio das siglas parece ir além das urnas. Ele passa também pela capacidade de convencer novas gerações de que a política partidária ainda é um espaço relevante de participação pública.