
Em entrevista ao A Notícia, a secretária municipal de Assistência Social, Rita de Cássia da Cruz Souza (foto), detalha o funcionamento do programa no município, os desafios enfrentados, os índices positivos de acompanhamento nas áreas de saúde e educação e as ações desenvolvidas para promover autonomia e geração de renda às famílias atendidas. Confira:
Quantas famílias são atendidas pelo Bolsa Família em João Monlevade hoje?
Em maio de 2026, o município conta com 3.294 famílias beneficiadas, totalizando 8.313 pessoas. O investimento mensal do Governo Federal chega a R$2.165.226,00, com benefício médio de R$659,13 por família.
O número de beneficiários cresceu ou diminuiu nos últimos anos?
Houve crescimento expressivo entre os anos de 2005 e 2007, com a ampliação da cobertura e a inclusão de novas famílias no Cadastro Único. Depois disso, os números se estabilizaram. A consolidação do programa, a melhoria das condições econômicas de parte da população e as atualizações cadastrais que retiraram famílias que deixaram de atender aos critérios contribuíram para essa estabilidade.
Como funciona o atendimento pelo Cadastro Único no município? Há fila ou demanda reprimida?
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, por demanda espontânea, sem necessidade de agendamento prévio. O município realiza o cadastramento e a atualização dos dados, mas a seleção e concessão do benefício são feitas pelo Governo Federal, com base nas informações enviadas pelos municípios e nos critérios estabelecidos em lei. Até o momento, o atendimento tem sido satisfatório, sem fila expressiva. Todas as pessoas que procuram o setor são acolhidas e orientadas sobre seus direitos.
Quais as dúvidas mais comuns das famílias durante o atendimento?
As principais dúvidas envolvem documentação necessária, critérios de elegibilidade, composição da renda familiar, prazos para aprovação do benefício e motivos de bloqueio ou cancelamento. Perguntas sobre as condicionalidades nas áreas de saúde e educação também são frequentes.
Como funciona o acompanhamento das famílias em relação às exigências de saúde e educação? João Monlevade tem bons índices?
O acompanhamento é feito de forma integrada entre a assistência social, a saúde e a educação. Os dados são compartilhados com as secretarias responsáveis pelo monitoramento das condicionalidades. João Monlevade registra taxa de acompanhamento escolar de 90,2%, acima da média nacional de 85%, e 89% na área da saúde, enquanto a média nacional é de 83,5%. Os desafios ainda existentes incluem o quadro reduzido de profissionais e o desconhecimento de parte das famílias sobre as exigências do programa.
Quais são os principais motivos de bloqueio ou cancelamento do benefício?
Os motivos mais frequentes são o não cumprimento das condicionalidades, a falta de atualização do Cadastro Único e a renda familiar acima do limite estabelecido pelo programa.
Como a prefeitura atua para evitar irregularidades e informações incorretas?
Mantemos diálogo permanente com a comunidade por meio dos CRAS e CREAS, e repassamos as orientações do Ministério do Desenvolvimento Social pelas redes sociais oficiais. O projeto Cidadão Legal também contribui para orientar famílias sobre seus direitos, deveres e a importância de manter os dados cadastrais atualizados.
Quais bairros concentram o maior número de beneficiários?
A maior concentração está na área de abrangência do CRAS Bem Viver, no bairro Novo Cruzeiro. O território inclui bairros como Estrela Dalva, Primeiro de Maio, Nova Monlevade, Planalto, Promorar, Vera Cruz, Loanda, Santo Hipólito, Tanquinho e Sion.
Qual é o impacto do Bolsa Família na economia local?
O programa tem duplo efeito: reduz a pobreza ao garantir renda mínima às famílias vulneráveis — assegurando alimentação, acesso à saúde e permanência das crianças na escola — e movimenta a economia local, já que os recursos são consumidos no comércio do próprio município, especialmente em alimentação, farmácias e pequenos serviços.
O município oferece ações para promover a autonomia financeira das famílias?
Sim. São realizados cursos de qualificação profissional em parceria com o Rotary Club, como cabeleireiro, maquiagem, design de sobrancelhas e cuidador de idosos. Pelo Projeto Técnico Social do Bairro Planalto, foram oferecidos cursos de barbeiro, gastronomia, pedreiro, manicure e pintor, entre outros. Também há capacitação em Operação e Manutenção de Motosserra, em parceria com o Opera Minas. O foco é ampliar oportunidades no mercado de trabalho e estimular o empreendedorismo.
Quais são os principais desafios hoje?
Garantir atendimento humanizado e de qualidade, repassar informações claras para evitar desinformação e manter a articulação eficiente entre assistência social, saúde e educação. A integração entre esses setores é essencial para que o acompanhamento das famílias seja contínuo e efetivo.
Que mensagem deixa para quem tem direito ao benefício mas ainda não procurou a assistência social?
O Cadastro Único é a porta de entrada para o Bolsa Família e para muitos outros programas sociais. Sem ele, o Governo Federal não consegue identificar quem tem direito. O atendimento é gratuito, acolhedor e orientador. Ao buscar os serviços, a família amplia o acesso às políticas públicas e dá um passo importante para a melhoria da sua qualidade de vida.

