Atuando na administração pública, tenho aprendido que o maior desafio não é técnico, mas simbólico. Em diferentes reuniões com prefeitos, secretários e equipes técnicas de todo o país, a sensação é recorrente: antes de qualquer argumento, vem o olhar de desconfiança. Não raro, ideias são relativizadas, dados são questionados com mais rigor do que o habitual e propostas só ganham força quando reiteradas por alguém mais velho. A idade, nesse contexto, ainda pesa mais do que a qualificação.
Esse não é um relato isolado. Jovens lideranças em Minas Gerais têm enfrentado a mesma barreira silenciosa. A vereadora Luna Motta, em Rio Piracicaba, e o vereador Helton Júnior, em Belo Horizonte, são exemplos de que, mesmo após o reconhecimento das urnas, a legitimidade do jovem ainda precisa ser constantemente provada. É como se o voto garantisse o mandato, mas não a confiança.
Há, evidentemente, uma raiz cultural nisso. A política brasileira foi estruturada sob uma lógica de senioridade, na qual o tempo de experiência é frequentemente confundido com capacidade de gestão. O problema é que essa lógica, quando levada ao extremo, fecha portas para a inovação, dificulta a renovação de ideias e afasta justamente aqueles que poderiam contribuir com novas abordagens e soluções.
Juventude não é sinônimo de improviso. Ao contrário, pode significar preparo técnico, domínio de ferramentas contemporâneas e maior conexão com a realidade atual.
O mais contraditório é observar que, ao mesmo tempo em que se fala sobre a importância de formar novas lideranças, iniciativas concretas caminham na direção oposta. Projetos como a Câmara Mirim e o Parlamento Jovem cumprem um papel fundamental ao introduzir adolescentes e jovens ao funcionamento das instituições, estimular o pensamento crítico e criar um primeiro vínculo com a vida pública. São, em essência, uma porta de entrada qualificada para a política.
No entanto, em João Monlevade, esses programas vêm sendo negligenciados pelo Poder Legislativo municipal. Enquanto municípios vizinhos seguem incentivando a participação juvenil e colhendo resultados positivos, aqui perde-se uma oportunidade valiosa de preparar a próxima geração. E isso não é um detalhe: torna-se uma escolha política com impactos de longo prazo.
Se a política deseja, de fato, se renovar, precisa começar pelo básico: confiar. Confiar que jovens podem, sim, ocupar espaços com responsabilidade; que a técnica não tem idade; e que a diversidade geracional fortalece — e não enfraquece — a tomada de decisões. Sem isso, continuaremos repetindo um modelo que se sustenta mais pela tradição do que pelos resultados.



