Uma pessoa como José Alberto Grijó não passa pela vida em silêncio. Sua dedicação ao próximo sempre será referência para todos que conviviam com ele no dia a dia. Um ser humano que sempre assumiu suas responsabilidades junto à comunidade e que demonstrava, por meio de suas atitudes, sua capacidade permanente de ajudar o próximo.

Trabalhou parte de sua vida como provedor do Hospital Margarida, contribuindo voluntariamente para que a instituição, mesmo diante de tantas dificuldades, atendesse a comunidade de forma humanizada. O Hospital Margarida era, para ele, como uma segunda casa. Conhecia cada espaço daquele lugar, respeitava todos e era respeitado por cada colaborador, independentemente da função que exercesse.

Sempre que o encontrava, conversava com ele. Lembro-me de uma vez em que perguntei qual era a parte mais difícil de ser provedor de um hospital que sempre foi administrado com recursos limitados.

Ele me respondeu de forma serena: “É na dificuldade que a gente aprende com quem pode contar, pois temos um conselho atuante, que sabe que as dificuldades pelas quais eles passam são as mesmas que eu e a administração enfrentamos. Mesmo assim, é um conselho que está sempre presente quando solicitado. O melhor de tudo isso é saber que temos uma comunidade solidária, que sempre doa um pouco do que tem para o hospital”.

Ali percebi como José Alberto Grijó era diferente. Mesmo diante de tantas dificuldades, ele tinha a humildade de reconhecer a importância da ajuda que a comunidade destinava ao hospital.

Calmo e tranquilo em suas palavras, José Alberto Grijó sempre prezou pelo diálogo para conseguir recursos para o Hospital Margarida. Era uma pessoa reservada e não demonstrava publicamente apreço por nenhum político, mesmo recebendo verbas de emendas de diferentes representantes para a saúde.

Era um homem sábio, que conseguia administrar diferenças em prol de um hospital para todos, inclusive para toda a região do Médio Piracicaba.

João Monlevade perde um grande ser humano, que em vida mostrou que podemos ser melhores quando estamos dispostos a ajudar o próximo, mesmo de forma voluntária.
Ele também me disse certa vez: “Quando recebemos algo de forma voluntária, nossa responsabilidade dobra, pois é um recurso que chega para atender a comunidade como um todo.”

Hoje, sua ausência deixa órfã uma geração que conviveu com ele e aprendeu muito com sua forma de ser. Fico feliz por tê-lo conhecido e por aprender valores que, muitas vezes, assimilamos ao longo da vida.

Em uma breve e justa homenagem a ele, o jornalista e seu amigo Erivelton Braz recitou o poema de Bertolt Brecht:
“Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida: esses são os imprescindíveis”.

Um poema que representa justamente tudo o que ele foi em vida. Foi embora o homem, mas ele deixa um legado para as futuras gerações sobre como devemos ser solidários para vivermos em harmonia com o próximo.

Fica a certeza de que mereceu todas as homenagens recebidas em vida. Vá em paz, meu amigo!