(*) Erivelton Braz

Ainda há quem insista em enxergar a cultura como um enfeite, um luxo ou, pior, um gasto supérfluo. Dia desses, o vereador Sinval (PL) disse que a Prefeitura não deveria investir em eventos, mas em saúde. Investir em saúde é necessário. Investir em cultura também.

Basta observar o movimento das cidades que investem em festivais, cantatas, feiras e programações culturais contínuas para perceber que a arte é, na verdade, um dos motores mais consistentes de desenvolvimento social e econômico. Onde há cultura pulsando, há também gente circulando, comércio aquecido, autoestima coletiva fortalecida e uma cidade que aprende a se reconhecer.

João Monlevade, com toda sua efervescência criativa, vive um momento em que discutir a cultura como investimento se torna mais urgente do que nunca. Esse assunto deve estar em pauta desde já. Afinal, se a economia tradicional vem sofrendo impactos, precisamos assumir que a economia criativa, já é uma das grandes potências do século XXI. E para que ela floresça, é preciso oferecer estrutura, planejamento e políticas públicas que promovam continuidade.

Para quem não sabe, a economia criativa é a força que nasce do talento, do trabalho e da arte das pessoas, gerando recursos e produzindo riquezas materiais e imateriais.
Em cidades com projetos semelhantes, o retorno financeiro se multiplica. Hotéis lotam, restaurantes ampliam equipes, ambulantes trabalham mais, empreendedores locais ganham vitrine e a cidade se torna destino.

Para 2026, que já está aí, é fundamental que o projeto do Parque de Exposições, que permanece no papel, se torne uma realidade.
Trata-se de um espaço estratégico, capaz de receber shows, grandes feiras, festivais gastronômicos, apresentações regionais e eventos de grande porte que, além de democratizar o acesso à cultura, movimentam a economia local.

Outro acerto recente vem da Fundação Casa de Cultura, que conseguiu realizar parte da programação de Natal deste ano graças à Lei Rouanet, através da empresa Bemisa. É fundamental reconhecer e repetir: a Lei Rouanet não é privilégio, é um mecanismo moderno de captação que fortalece a produção cultural e democratiza o acesso a espetáculos de qualidade. Quando bem utilizada, transforma-se em ferramenta poderosa para valorizar a cultura local, artistas, formar plateias e profissionalizar o setor. É dinheiro novo chegando e fazendo a diferença.

Em 2026, o segundo ciclo da PNAB II destinará cerca de R$600 mil para projetos culturais da cidade. Esses recursos não podem ser subestimados. Até por que, eles representam uma oportunidade concreta de ampliar a atuação de artistas, coletivos e grupos culturais que, muitas vezes, fazem milagres com orçamentos mínimos.

A cultura vibra quando é vista, quando encontra seu público e quando se espalha pela cidade. E, para isso, comunicação é essencial. Projetos culturais precisam de divulgação ampla, campanhas atrativas, estratégias claras para formar público e sensibilidade para dialogar com diferentes comunidades. Afinal, sem visibilidade, não há impacto.

O que defendo aqui é simples: cultura não é gasto, é investimento com retorno garantido. É investimento em pessoas, em cidadania, em identidade e em economia. Quando Monlevade fortalece sua agenda cultural, fortalece também sua capacidade de atrair gente, oportunidades e novas perspectivas. E Monlevade, que sempre foi fértil em talentos, merece (re)viver essa nova fase com coragem, planejamento e visão de futuro. Porque onde a arte floresce, a cidade prospera.