(*) Erivelton Braz

A política brasileira quase ofereceu uma dose amarga aos cidadãos: a chamada “PEC da Blindagem” ou da bandidagem, como foi apelidada. A proposta indecorosa, que pretendia criar obstáculos para investigações e prisões de deputados e senadores, foi até aprovada na Câmara dos Deputados, mas sofreu um revés no Senado.

Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou o texto por unanimidade, sepultando, essa tentativa de autoproteção parlamentar. Isso, claro, é fruto das manifestações nas ruas no último fim de semana que mobilizaram várias cidades brasileiras. O povo criticou e conseguiu pressionar por essa mudança.

Embora enterrado, para João Monlevade, o episódio tem um recado direto. Muitos favoráveis a esse projeto receberam votos na cidade nas últimas eleições. São eles: Nikolas Ferreira (PL) — 6.995 votos; Hercílio Coelho Diniz (MDB) — 3.342; Rodrigo de Castro (União Brasil) — 1.418; Stefano Aguiar (PSD) — 636; Bruno Farias (Avante) — 591; Igor Timo, ausente no primeiro turno, mas votou sim no segundo (Podemos) — 523; Pinheirinho (PP) — 439; Fred Costa (Patriota) — 437; Rosângela Reis (PL) — 408; Lincoln Portela (PL) — 398; e Pedro Aihara (Patriota) — 330. O deputado Leonardo Monteiro (PT), que teve 1.328 votos na cidade, votou sim no primeiro turno, mas mudou de posição, sendo contrário, no segundo.

A proposta rejeitada no Senado previa que qualquer investigação ou processo criminal contra parlamentares dependeria da autorização do próprio Congresso. Inclusive com votação secreta. Em outras palavras, os políticos julgariam seus próprios colegas antes mesmo de a Justiça agir. Um escudo corporativo que poderia proteger até mesmo acusados de crimes graves, em flagrante afronta ao princípio da igualdade perante a lei.

Defensores da PEC falavam em “garantia de mandato”, mas o argumento não resiste a um exame simples: quem pode ser investigado não pode decidir se a investigação avança. Transformar a Justiça em matéria de conveniência política é abrir caminho para negociatas e impunidade. Enquanto isso, pautas de interesse popular, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, ficaram em segundo plano.
Uma sugestão ao eleitor monlevadense que votou em quem defende a blindagem de político: o que o deputado que recebeu seu voto fez pela cidade? É triste constatar que muitos desses pouco ou nada retribuíram ao município. Procure saber se eles destinaram recursos para projetos que melhorem a vida local.

A rejeição na CCJ foi uma vitória da sociedade. Mas não basta celebrar o Senado por ter contido o abuso. A lição principal está nas urnas: quem votou pela blindagem precisa ser lembrado. Em 2026, quando esses mesmos nomes aparecerem nas campanhas em Monlevade, a memória do eleitor será decisiva para impedir que interesses corporativos continuem se sobrepondo ao bem público. Afinal, blindar políticos contra a lei é trair a democracia. Quem vive em João Monlevade, ou em qualquer cidade do Brasil, tem agora a oportunidade de provar que a confiança do voto não é e nem pode ser um cheque em branco. Por isso, cuidado na hora de votar.

Escolha bem quem irá te representar. E pensando em 2026, volto a repetir o que já disse em eleições anteriores: está na hora de Monlevade, região e demais cidades do Médio Piracicaba, se unirem e elegerem um deputado federal que more na região e que seja comprometido com ela. Basta de apoiar os “paraquedistas” que só sabem chegar aqui, pedir votos e ir embora. Precisamos de deputados que conheçam a nossa realidade e que sejam capazes de, verdadeiramente, trabalhar para que as nossas cidades prosperem e avancem rumo a um futuro melhor. A mudança do país começa em cada um de nós.