A tradicional marca de pressão arterial considerada “normal” – 12 por 8 – deixou de ser sinônimo de tranquilidade. É o que diz a nova diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, apresentada nessa quinta-feira (18), durante o Congresso Nacional de Cardiologia, esse nível passa a ser enquadrado como pré-hipertensão.

Segundo o documento, a nova categoria unifica os antigos conceitos de “pressão normal” e “pré-hipertensão” da diretriz de 2020. Agora, são considerados pré-hipertensos os indivíduos com pressão sistólica (PAS) entre 120 e 139 mmHg e/ou pressão diastólica (PAD) entre 80 e 89 mmHg. Até então, valores entre 120 e 129 mmHg (sistólica) e 80 a 84 mmHg (diastólica) eram vistos como normais.

A nova classificação foi adotada visando à identificação precoce de indivíduos em risco. Outro objetivo é incentivar intervenções não medicamentosas para prevenir a progressão para a hipertensão, informam os cientistas. Agora, para que o nível não seja considerado de risco, a pressão arterial sistólica deve ficar abaixo de 120 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica deve ser inferior a 80 mmHg.

O objetivo da mudança é identificar precocemente pessoas em risco e estimular intervenções rápidas para evitar a evolução para hipertensão arterial. O diagnóstico, no entanto, deve ser confirmado com medições repetidas em duas ou mais consultas, com intervalos de dias ou semanas, podendo ser realizadas no consultório, em casa ou por meio de monitoramento ambulatorial.

Para pacientes que já apresentam doença cardiovascular, a nova diretriz é mais rigorosa: a pressão de 12 por 8, isoladamente, já é suficiente para confirmar hipertensão, dispensando medições adicionais fora do consultório. Especialistas reforçam que a atualização serve de alerta para a população manter hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle do estresse, fundamentais para prevenir complicações ligadas à pressão alta.

Tratamentos

As diretrizes indicam também que o tratamento da hipertensão arterial não deve ficar restrito ao uso de medicamentos. O ideal é que ele inclua não fumar, ter uma dieta saudável, praticar atividades físicas regulares e ter um Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 18 e 24 kg/m². Em termos de alimentação, a recomendação é ter uma dieta saudável, diminuir a ingestão de sal, muito comuns em produtos ultraprocessados e industrializados, além de bebidas álcoolicas e aumentar o consumo de potássio.