(*) Vander Ferraz Neves

Acho que cada um de João Monlevade não tem como não ter, em sua história, alguma passagem com a Usina de Monlevade. Não consigo estimar quantas vidas tocadas desde 1935. E olha que tentamos, mas seria um trabalho possivelmente de mais 90 anos.
Hoje podemos estimar, contando as pessoas que atuam diretamente pela ArcelorMittal Monlevade ou pelas parceiras mais as famílias de todos, que impactamos cerca de 11.000 pessoas – 14% da população de nossa cidade. É muita gente, são muitas histórias que fazem dessa Usina o que ela sempre foi: pioneira, inovadora e que faz aços especiais porque tem pessoas especiais que nela trabalham.

A usina sempre foi coordenada geográfica de um grande legado para a siderurgia brasileira e mundial. Desde sempre, recebemos gente do mundo inteiro que vem nos visitar, melhor dizendo, vem visitar as pessoas que trabalham na Usina. Estrangeiras ou não, o comentário delas é quase sempre o mesmo: “nunca vi nada parecido em termos de engajamento da turma”. Sabemos disso e carregamos essa responsabilidade com muito orgulho.
Mas como mencionado, acredito mesmo que todo Monlevadense é um embaixador nato da Usina de Monlevade. A gente sabe: mudou muito nesses 90 anos – algumas coisas para melhor e outras nem tanto. Mas eu diria que querer melhorar a cada dia é um sentimento igual gelatina no restaurante: todo dia tem que ter. E nós temos, tenham todos certeza disso.

Aprendemos com nossos colegas e nossas colegas que aqui trabalharam. Carregamos até hoje tradições desde os tempos do Dr. Louis Ensch – a quem muito devemos, pois não tem motivação maior para alguém quando o outro acredita nele. E esse sentimento foi replicado como uma espécie de romantismo. Escuto até hoje quando pergunto para a turma da Usina o que mais gosta. A resposta é sempre bem sonora e com um grande sorriso no rosto: “gosto da Usina”. Até escuto reclamações, indignações, saudosismos; mas o sentimento romântico perdura nos colegas e nas pessoas que tiveram sua história profissional aqui trilhada.

Peço a cada conterrâneo e a cada conterrânea: acredite na gente. A gente sobreviveu a várias crises e sempre voltamos mais fortes. Apesar de fazer parte hoje da maior siderúrgica do mundo, a ArcelorMittal Monlevade ainda é vista e tratada como estratégica para o negócio. E vamos trabalhar bastante para estarmos aqui nessa terra para operar por mais 90, 100, 200 anos. Temos um absoluto respeito pelo passado, atuamos muito no presente; mas o futuro nos traz fé e nos motiva. E contamos com nossa cidade junto conosco.

Agradecemos ao povo de João Monlevade que nos deixa fazer aço aqui nessa terra há 90 anos. De uma forja no Arraial de São Miguel do Piracicaba à Capital do Fio-Máquina, dos 5 altos-fornos ao Alto-Forno-A, do Krupp ao Laminador 3 – muitas histórias, uma cidade e muitas vidas que prosperaram com nosso trabalho.

 

(*) Vander Ferraz Neves é monlevadense, atua na ArcelorMittal Monlevade há 19 anos. É psicólogo, mestre em Administração e desde 2019 é o Gerente de Pessoas da Unidade