A discussão sobre a proibição do estacionamento em um trecho da rua Pedro Bicalho, no bairro Alvorada, coloca em pauta um tema mais abrangente. A pauta da mobilidade urbana em João Monlevade voltou à tona e promete novos capítulos.

Comerciantes, empresários e profissionais da região debateram questões de trânsito, estacionamento e gargalos na via, uma das principais do bairro, e enviaram propostas à Prefeitura. Porém, segundo eles, antes de receberem um retorno, a gestão municipal proibiu o estacionamento em parte da rua Pedro Bicalho, causando indignação dos comerciantes.

A mudança foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 146/2026, publicado na última quinta-feira (9), que proíbe o estacionamento de veículos no lado direito da via. A administração municipal defende que a medida é necessária para melhorar a fluidez do trânsito em uma das vias mais movimentadas da cidade. Já os comerciantes afirmam que a decisão foi tomada sem diálogo prévio e pode comprometer o funcionamento de empresas e serviços essenciais instalados no local.

Durante reunião recente promovida na Associação Comercial, Industrial e Prestação de Serviços de João Monlevade (Acimon), o entendimento predominante foi de que o trânsito na cidade precisa, de fato, passar por adequações. No entanto, os participantes defenderam que soluções técnicas podem ser construídas. O encontro também reuniu vereadores.

A preocupação maior está relacionada ao perfil dos usuários da região. A rua Pedro Bicalho, defendem os comerciantes, concentra clínicas médicas, agência bancária, consultórios, serviços de fisioterapia, laboratórios, bares e uma entidade que atende mais de 1,4 mil associados. Muitos pacientes são idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, além de moradores de municípios vizinhos que dependem do acesso facilitado para os atendimentos. Segundo os comerciantes, o objetivo não é impedir melhorias no trânsito, mas participar da construção de soluções que preservem tanto a mobilidade quanto a atividade econômica do bairro.

Pelo lado da Prefeitura, o parecer técnico elaborado pelo Setor de Trânsito e Transporte (Settran) aponta que o estacionamento em ambos os lados da rua Pedro Bicalho reduzia significativamente a largura útil da pista, provocando retenções constantes e dificultando a passagem de ambulâncias, ônibus, caminhões da coleta de lixo e do transporte escolar.

O estudo também sustenta que os congestionamentos na Pedro Bicalho provocam reflexos em outras vias importantes da região, como a rua Alberto Scharlé e os acessos à avenida Castelo Branco. Por esse motivo, a administração municipal afirma que a restrição integra um conjunto de intervenções emergenciais para enfrentar o crescimento da frota de veículos da cidade, atualmente estimada em cerca de 58 mil automóveis e 10 mil motocicletas.

Durante o mês de julho, o município realizará ações educativas no local. A partir de 3 de agosto, a fiscalização será intensificada, com aplicação de multas e remoção dos veículos estacionados em desacordo com o decreto.

Propostas

O encontro realizado na Acimon resultou na construção de uma série de propostas que buscam conciliar segurança viária e desenvolvimento econômico. A Notícia teve acesso ao ofício enviado à gestão municipal. Entre as sugestões, estão a manutenção de parte das vagas ao longo da rua, restringindo o estacionamento apenas nos pontos considerados críticos para o fluxo de veículos; a criação de vagas exclusivas para pacientes das clínicas; áreas específicas para carga e descarga; restrições ao tráfego de caminhões pesados durante o horário comercial; e novos estudos de engenharia para readequar o cruzamento entre as avenidas Castelo Branco e Rodrigues Alves com a rua Pedro Bicalho.
Os empresários também defenderam que a Prefeitura estabeleça um canal permanente de diálogo com comerciantes e moradores antes da implantação de novas alterações no sistema viário.

Debate vai além

A discussão também trouxe à tona antigos desafios da mobilidade urbana em João Monlevade. Entre eles, voltou a ganhar força a reivindicação pela retomada do estacionamento rotativo, considerada pelos comerciantes uma ferramenta importante para aumentar a rotatividade das vagas e fortalecer o comércio nas regiões centrais. Outro problema apontado é a circulação e o estacionamento de caminhões e carretas em áreas comerciais e residenciais, situação que, segundo empresários, contribui para congestionamentos e compromete a segurança viária.

Também foi levantada a necessidade de maior fiscalização sobre o uso irregular de cones para reserva de vagas em vias públicas, prática que, segundo relatos apresentados durante a reunião, ainda ocorre em alguns pontos da cidade e gera insatisfação entre comerciantes e motoristas. O assunto promete novos desdobramentos. Inclusive, o grupo espera desenvolver um estudo de impacto impacto na região e levar a pauta para a Câmara Municipal, ampliando o debate junto aos vereadores.