A cena política mineira pode ganhar um nome de peso nas eleições de 2026. Ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Mauri Torres, que deixou o cargo em 2011 para assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), já é cotado para disputar novamente uma cadeira no parlamento mineiro.
Em conversa com o A Notícia, Mauri disse que a situação “está mais ou menos definida, mas ainda falta tempo para as eleições”. Ele admitiu que tem conversado com outros políticos aliados, familiares e amigos, mas que a definição de sua pré-candidatura depende de muitos fatores. Mauri afirmou que depois da aposentadoria do TCE está “liberado” para fazer política. “Nunca perdi contato com as bases e sempre conversei sobre política”, afirma.
Pai do atual deputado Tito Torres (PSD), que está no terceiro mandato na Assembleia de Minas, Mauri contou que a ideia começou a ser ventilada com o desejo de Tito ocupar uma vaga no TCE neste ano. Ainda há duas vagas em aberto e o deputado monlevadense trabalha para ser um dos indicados. No entanto, mesmo se ele não conseguir ser o indicado para o tribunal, deixaria de disputar a reeleição para outro mandato, sendo Mauri o candidato em 2026.
O nome de Mauri Torres voltou a ter forte presença na Assembleia após a saída dele do TCE. O ex-parlamentar passou a atuar de forma intensa nos bastidores, acompanhando o dia a dia do mandato do filho, mas também articulando com prefeitos aliados e mantendo interlocução direta com lideranças políticas regionais e estaduais. O movimento tem chamado a atenção da imprensa da capital e, entre parlamentares, já é comum ouvir que Mauri ocupa informalmente o papel de “78º deputado”, referência ao número oficial de cadeiras na Assembleia, que é 77. Perguntado a respeito, Mauri disse que isso “é gozação, uma brincadeira”.
Estratégia
Conforme apurado, a estratégia em discussão dentro do grupo político da família Torres é que Mauri seja candidato a deputado estadual em 2026 no lugar do filho, que não disputaria a reeleição. Inclusive, Tito seria um dos entusiastas da pré-candidatura do pai. Além disso, Tito Torres, se não for para o TCE, seguiria na Assembleia até o fim do mandato, mas com chances de atuar em outras frentes, ocupando até mesmo, cargos no Executivo Estadual.
Mauri Torres exerceu seis mandatos consecutivos na ALMG, ocupou cargos de destaque e presidiu a Casa por dois mandatos consecutivos, sendo o primeiro presidente reeleito do Legislativo Mineiro. Ele chegou, inclusive, ao cargo de governador interino de Minas Gerais. Conhecido por estilo conciliador, ele mantém trânsito entre diferentes correntes partidárias e com ampla rede de apoio municipalista. Sobretudo, com capital político expressivo na região do Médio Piracicaba.
Mauri fala com orgulho que o filho abriu muitas frentes dentro de Minas Gerais. Tanto que obteve 96 mil votos na última eleição. “Tito chegou a regiões e cidades aonde eu nunca cheguei. A ideia, se concretizar, é visitar todas elas. Estou com saúde e disposição”, afirmou.
Volta
Se confirmada, a candidatura marcaria o retorno formal à disputa eleitoral após mais de uma década fora do Legislativo. Nos bastidores, aliados acreditam que a volta de Mauri pode reorganizar forças na região, recuperar espaços e influenciar alianças para futuras eleições em Monlevade e região. Vale lembrar que Tito Torres entrou para a política, justamente, para suceder o pai, quando ele deixou a Assembleia para ir para o TCE. Agora, a situação se inverte.

