A notícia do início da cobrança do pedágio na BR-381 tem provocado alvoroço na sociedade do Médio Piracicaba. Não sem motivo, pois ninguém quer pagar para trafegar num trecho em que antes se passava gratuitamente. Afinal, o motorista brasileiro já paga muitos impostos e a rodovia ainda não está totalmente duplicada.

Mas a análise precisa ser mais aprofundada. O cidadão do Médio Piracicaba clama há mais de 30 anos pela duplicação da BR-381, uma das mais violentas do Brasil. A concessão à iniciativa privada foi o meio encontrado para entregar uma estrada de melhor qualidade aos cidadãos, mas esse processo tem seus custos.
A rodovia já passou por notáveis melhorias. Dentre essas, capina e roçada nas laterais das pistas, recolhimento de entulhos, pintura, instalação de novas placas de sinalização, recapeamento, implantação de torres para telecomunicações, como wi-fi, serviços de resgate de emergência e de guincho, além de pontos de apoio. Ao todo, já foram investidos cerca de R$1 bilhão.

Obviamente, ninguém deseja pagar pedágio, sobretudo, moradores da região que passam no trecho diariamente. Mas não há outra saída para que a BR-381 seja minimamente decente. Como muitos reclamam, mas não entendem, o IPVA é um imposto estadual. Portanto, não tem nenhuma relação com rodovias federais. E, mesmo assim, não obriga o governo a dar-lhe uma destinação específica. É lenda que ele seja obrigatoriamente usado para reparos em estradas ou vias urbanas.

O pagamento do pedágio é uma triste realidade e não há nada que se possa fazer. Essa foi uma decisão que conta no plano de entregar a rodovia à iniciativa privada, o que é típico das privatizações. A torcida é que as obras de duplicação comecem logo, beneficiando a região, trazendo mais desenvolvimento e ações benéficas. Como prometido, que a BR-381 deixe de ser a rodovia da morte e se torne a rodovia da vida. Essa será a realidade mais reconfortante aos motoristas.