(*)Erivelton Braz
Foi com grande honra e um profundo senso de responsabilidade que fui eleito para a presidência do Conselho Municipal de Cultura de João Monlevade. Mais do que um cargo, assumo essa missão como um compromisso com a diversidade, a memória e o futuro criativo de nossa cidade.
Cultura não é apenas um conjunto de manifestações artísticas; é o pulsar da identidade de um povo, a força que nos move e nos une em meio à tantas diferenças. Assim, assumir a presidência do Conselho Municipal de Cultura de João Monlevade é, antes de tudo, abraçar uma causa coletiva. Reitero que cultura não se resume a shows e eventos esporádicos; é um direito fundamental, um pilar invisível que sustenta nossa identidade, nossa economia e nossa humanidade. Enquanto muitos ainda veem a cultura como mero entretenimento, precisamos lembrar que ela é o solo onde nascem a educação e a cidadania.
João Monlevade possui uma riqueza cultural plural, que vai desde as tradições folclóricas e religiosas até a efervescência contemporânea de seus artistas urbanos, músicos, escritores e produtores independentes. No entanto, para que essa cultura permaneça viva e presente, é essencial que ela seja dinâmica, acessível e, acima de tudo, valorizada como elemento central do desenvolvimento social e econômico do município.
O Conselho Municipal de Cultura tem um papel fundamental nesse processo. Como órgão colegiado composto por 28 membros efetivos e suplentes, sendo artistas, representantes do poder público e da comunidade, somos responsáveis por elaborar, promover, acompanhar e fiscalizar as políticas públicas culturais, garantindo que estejam alinhadas com as demandas reais da população e dos fazedores de cultura.
Isso inclui alguns pontos importantes. Um deles é defender a diversificação e a pluralidade cultural, assegurando espaço para todas as vozes, manifestações tradicionais, modernas e expressões periféricas. Também ampliar o acesso aos mecanismos de fomento, como editais e leis de incentivo, para que artistas e coletivos possam viabilizar seus projetos. Além disso, fortalecer a participação dos produtores culturais nas decisões, pois quem vive a cultura sabe onde devem ser investidos os recursos e esforços. Outro ponto fundamental é proteger e valorizar o patrimônio cultural material e imaterial, garantindo que nossa história não se perca no tempo.
Como presidente, meu compromisso é trabalhar para que o Conselho seja um canal aberto, plural, transparente e atuante. Queremos ouvir mais os artistas, aproximar a cultura das escolas, das praças e dos bairros. Além disso, formar parcerias e pontes entre o poder público e a sociedade civil. Acredito e defendo que a cultura não pode ser tratada como um apêndice, mas sim como um eixo estratégico para o desenvolvimento integral de João Monlevade.
A cultura é viva quando respira liberdade, quando chega a todos os cantos e quando seus criadores são reconhecidos como agentes transformadores, com seus papeis destacados e respeitados. Dessa forma, fica ainda mais presente quando ocupa ruas e chega aos corações das pessoas. E é com essa convicção que seguiremos trabalhando, para que João Monlevade não apenas preserve sua cultura, mas a celebre, fortaleça e a reinvente todos os dias.
(*) Erivelton Braz é escritor, jornalista, professor e editor do A Notícia

