A notícia da desativação do Terminal Rodoviário de João Monlevade, no bairro Santo Hipólito, provocou revolta na sessão dessa quarta-feira (24) na Câmara Municipal. Vários vereadores criticaram o encerramento do prédio, inaugurado em 2004, a transferência da maior parte das linhas para o posto Cinco Estrelas e a construção de um “ponto de apoio” em frente ao antigo prédio para receber as viagens restantes. Conforme já noticiado, o edifício do antigo Terminal Rodoviário será adaptado para sediar o Corpo de Bombeiros Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Defesa Civil municipal.

Zuza Veloso (Avante) iniciou os debates, exibindo imagens que tomou em sua visita à nova estrutura, classificando-a como “trailer de hambúrguer” e exigindo que o prefeito Laércio Ribeiro (PT) respeitasse os 25 mil votos que o elegeram. O parlamentar protocolou um requerimento para obter mais informações junto ao Poder Executivo sobre a transferência, e atacou a falta de comunicação entre a Prefeitura e o Legislativo: “A gente fica até com vergonha de ser vereador, porque o Executivo não passa nada para você. Você pede informação, enrola, enrola, enrola, depois faz essa covardia”. Zuza ainda afirmou que isso é um “tapa na cara do povo”.

Thiago Titó (MDB) defendeu que o Corpo de Bombeiros Militar seja estruturado, podendo receber mais homens e chegar a pelotão, mas rechaçou a categoria do novo ponto de embarque: “Agora nós temos a Rodoviária, a ‘nova Rodoviária’ [faz aspas com os dedos]. Ali pode ser chamada de ponto de ônibus, ponto de apoio, menos uma Rodoviária”. Titó ainda classificou a situação como “escárnio” à população monlevadense: “Uma chuva fina que acontecer ali vai dar transtorno para todo mundo que está esperando o ônibus”.

Leles Pontes (Republicanos) ponderou que muitos passageiros não queriam usar o terminal para evitar o pagamento da taxa de embarque, preferindo tomar o ônibus já na rodovia. Sassá Misericórdia (Cidadania) pediu respostas sobre a reunião que seria realizada nessa quarta-feira sobre o tema. O presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), apontou a responsabilidade à Prefeitura de João Monlevade pela crise: “Eu acho que é chover no molhado falar que o local não está adequado para atender os passageiros. A Prefeitura, de alguma forma precisa tomar decisões sérias de austeridade para resolver essa situação, porque foi um problema que ela mesmo criou. Talvez se tivesse aberto o diálogo anteriormente, solicitado alguns pedidos, até mesmo de ajuda, teria sido diferente a história”.

Bruno Cabeção (Avante) criticou o manejo da gestão municipal sobre o tema. “Será que nós merecemos isso? E vou ser mais ousado: eu acho que quem planejou essa ação, sintetizando com outros casos que a Prefeitura fez recentemente, ela não está conseguindo destacar o brilho da ação. Está tendo uma economia de recurso público na transferência da rodoviária. Ninguém está falando sobre isso. Por quê? Por causa da forma como foi feita”.

Sinval Dias (PL) fustigou a gestão municipal pela crise: “Se a Prefeitura tivesse ouvido essa Casa, envolvido na participação, o que estava acontecendo o dia a dia ali da discussão, talvez não haveria essa discussão que tem aqui hoje”.

Outro a cobrar diálogo do Executivo foi Carlinhos Bicalho (PP). “Pelo amor de Deus, vamos ter diálogo. Antes de qualquer ação, vamos conversar, vamos tomar esse posicionamento para a gente conseguir dar satisfação para população, conseguir falar o que que está acontecendo, ouvir a população, porque nós estamos sofrendo demais. É só crítica!”, disse.

Colega de partido do prefeito, Belmar Diniz (PT) já considera que o Terminal Rodoviário está extinto. “Para mim, Monlevade não tem Rodoviária mais. A gente tem agora um ponto de apoio de embarque e desembarque. A decisão foi tomada”. Ele lembrou o acordo judicial envolvendo a Prefeitura e a rede Graal, e indicou a disponibilidade de ambos para encontrar uma solução: “Vamos cobrar, estamos no direito de cobrar. O povo está com direito de reclamar, mas eu acredito numa uma solução pacífica, bem transparente e rápida”. Revetrie Teixeira (MDB) parabenizou Zuza Veloso pelo requerimento, e cobrou acessibilidade a deficientes no banheiro do ponto de embarque.

Sidney Bernabé (PL) fez um retrospecto, considerando que ao terminal estava mais bem localizado na região central de João Monlevade: “A Rodoviária saiu lá da [rua] Siderúrgica, passou para o centro aqui de Monlevade, no melhor local possível, na minha avaliação, que é a confluência dos três lugares. Depois foi transferida para o Graal, e hoje nós não temos mais Rodoviária”.

Marquinho Dornelas (Republicanos) apresentou uma proposta de solução para o problema: “Então vai lá e conversa com o Graal e põe lá. Põe dentro do Graal. Não precisava de três contêineres, não. Precisava era de uma sala dentro do Graal e punha a Rodoviária dentro do Graal. Acabou o problema. Gastou dinheiro foi à toa naquilo ali. Aquilo ali é um elefante branco. Está uma marmota. Todo mundo está cansado de saber”.

Por fim, a líder do governo da Câmara Municipal, Maria do Sagrado (PT), adotou um tom defensivo: “Eu acho que as críticas elas precisam acontecer sim, gente, porque é na presença de críticas que as coisas são melhoradas, consertadas e transformadas quando necessárias”. Ela ainda indicou que houve uma reunião com a Assessoria de Governo e o Serviço de Trânsito e Transportes (Settran) para definir quais medidas serão tomadas.