A Polícia Civil forneceu na manhã de sexta-feira (12) novos detalhes sobre a prisão do investigado por aliciamento de menores em João Monlevade. Em coletiva de imprensa realizada na sede da corporação, no bairro Rosário, os delegados Bernardo de Barros Machado e Camila Batista Alves explicaram o modus operandi desse suspeito, que abordava crianças e adolescentes para crimes sexuais.

Ação criminosa

Segundo a delegada Camila Alves, responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), para se aproximar das crianças, o alvo da operação usava várias redes sociais, como Kwai, TikTok, Threads, YouTube, Instagram e Facebook; aplicativos de trocas de mensagens, como WhatsApp e WhatsApp Business; e plataformas de jogos digitais, como Roblox e FreeFire. Em outros casos, diz a delegada, ele comparecia a espaços frequentados pelos menores. Após atraí-las, muitas vezes prometendo pizza ou açaí ou enviando vídeos de youtubers, ele passava a colher informações sobre a rotina das suas vítimas e pedir fotos e vídeos de pornografia infantil.

Segundo a Polícia, o investigado, de 45 anos, é monlevadense e já possui condenação por crimes contra a dignidade sexual cometidos nos municípios de Santa Maria do Suaçuí e Ponte Nova. Ele cumpriu a pena, progrediu de regime e estava em liberdade. O delegado Bernardo Machado classificou-o como “um verdadeiro maníaco, um verdadeiro predador de crianças e adolescentes”, e ressaltou que a prisão impede novos crimes daquele que chamou de “monstro”.

Até o momento, a investigação trabalha com três vítimas em João Monlevade, todas do sexo masculino. No entanto, esse número pode passar de cem, pois a Polícia Civil descobriu várias mídias que conteriam conversas e conteúdos com menores de todo o Brasil, com idades variando entre dez e 15 anos.

Investigação e captura

Segundo a Polícia, as investigações começaram no dia 25 de maio. Uma família procurou a delegacia para denunciar o suspeito, e no mesmo dia, a Polícia Civil percebeu a periculosidade do denunciado e solicitou uma ordem de prisão preventiva. Depois, novas queixas chegaram aos agentes.

A delegada Camila Alves acredita que esse investigado tenha larga trajetória criminosa: “Eu acredito que há muitos anos. Eu acredito que é uma vida inteira mesmo. Porque, pelo que a gente viu no aparelho celular, pelo comportamento dele, é um indivíduo que vive disso. Ele não tem outro foco na vida dele. Ele vive para trabalhar, conseguir um pouco de dinheiro para pagar essas crianças e aliciar essas crianças, seja presencialmente, seja na Internet”.

Ao perceber que as denúncias já eram compartilhadas nas redes sociais em João Monlevade, o suspeito tentou fugir da cidade, tomando um ônibus de viagem que rumava a Belo Horizonte, levando malas e dinheiro. Da capital mineira, ele continuaria sua fuga. No entanto, o investigador e vereador Fernando Linhares recebeu denúncia anônima e encaminhou para a Polícia Civil. A corporação descobriu o intento de escape, foi ao posto Cinco Estrelas para descobrir qual veículo ele havia tomado e montou uma operação para capturá-lo, mobilizando duas viaturas e sete agentes, interceptando o coletivo na altura de Sabará, onde a Polícia Rodoviária Federal havia abordado o ônibus.

Ao ser detido, o procurado não ofereceu resistência e ficou tranquilo: “É o perfil desse tipo de criminoso, de não esboçar reação, porque são covardes. E a covardia é tão grande com crianças e adolescentes que, quando chegam perante os órgãos de segurança, geralmente eles não esboçam nenhuma reação”, assinala o delegado regional Bernardo Machado.

Aos policiais, ele confessou parcialmente as acusações. Ele alegou possui dois filhos maiores de idade e que trabalhava como pedreiro e ambulante, já tendo vendido churros; segundo a PC, ele usaria esse comércio para se aproximar de potenciais vítimas. Quando chegou à Delegacia, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), presidido pela delegada Camila Alves.

A delegada Camila Alves agradeceu à cooperação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da empresa de ônibus, de policiais de outras unidades e dos populares, muitos deles abrindo passagem às viaturas que se dirigiam para efetuar a detenção. Ela e o delegado Bernardo Machado enalteceram a ação da equipe da Polícia Civil: “O trabalho só deu certo porque todo mundo se empenhou muito”.

Alerta

Os dois delegados advertiram as famílias a redobrarem os cuidados com as crianças, ressaltando que uma criança usando a Internet sem supervisão corre tanto risco como se fosse deixada sozinha na rua. “Os pedófilos se fingem de amigos, se aproximam dessas crianças, e depois que elas começam a mandar as fotos e os vídeos, essas crianças são chantageadas e ameaçadas de divulgação”.

O delegado Bernardo Machado alertou os pais para que não deixem seus filhos desacompanhados na via pública: “Não consigo imaginar uma criança de sete ou oito anos caminhando sozinha na rua, como se fosse adulta”. A delegada Camila Alves apelou às famílias para a prevenção ao contato com pedófilos, e foi enfática: “Criança não tem direito à privacidade. A criança tem que ser monitorada o tempo inteiro”.

As investigações continuam, e outro suspeito também é alvo das apurações. Até o momento, as investigações indicam que os crimes cometidos são armazenamento de material pornográfico infantil, estupro de vulnerável e extorsão. Com o progredir dos trabalhos, os tipos penais pelos quais ele responderá serão consolidados. Ele permanece preso preventivamente, aguardando a manifestação judicial sobre a prisão em flagrante, que já foi requerida para ser convertida em preventiva, sendo duas prisões dessa categoria. Como cada vítima corresponde a um crime, podem ser feitos vários indiciamentos.

Canais de denúncia

A própria vítima ou qualquer família que desconfie que seu filho foi vítima de abuso ou crime contra a dignidade sexual deve procurar a delegacia mais próxima. A 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de João Monlevade está instalada na rua Bernardino Brandão, 180, no bairro Rosário. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 181, 100, 190 ou 197, todos com chamada gratuita e sigilo absoluto.