O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu nesta quarta-feira (29) denúncia criminal contra uma diarista pela morte de um casal de idosos no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia, os fatos ocorreram em 29 de junho de 2026, no período da tarde. A mulher foi presa por agentes da Polícia Civil no dia 2 de julho em um quarto de hotel em Itabira. A 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte conduz o caso.

Como o crime aconteceu, segundo o MPMG

De acordo com a denúncia, a mulher prestava serviços domésticos na residência das vítimas e teria adicionado medicamento sedativo à bebida do casal para incapacitá-lo. Assim, o objetivo era subtrair bens do apartamento. Quando percebeu que as vítimas dormiam, a acusada começou a se apropriar dos pertences do imóvel.

No entanto, uma das vítimas acordou durante a ação e surpreendeu a acusada. Diante disso, ela matou os dois idosos com dezenas de facadas para garantir a consumação do roubo. Antes de deixar o local, ainda segundo a apuração, a diarista adotou medidas para apagar vestígios e dificultar o trabalho da perícia.

Investigação identifica participação de segundo acusado

As investigações apontaram que, no mesmo dia do crime, a diarista se dirigiu ao centro de Belo Horizonte para vender os bens subtraídos e usar os cartões bancários das vítimas. Para isso, ela contou com a participação de um segundo acusado, dono de um restaurante na região central da capital, que teria permitido o uso dos cartões nos equipamentos do estabelecimento. Segundo o MPMG, os dois dividiram proporcionalmente os valores obtidos.

Diante das provas reunidas, o MPMG denunciou a diarista por latrocínio — roubo com resultado morte — por duas vezes, com agravantes de uso de meio cruel, de recurso que dificultou a defesa das vítimas e por o crime ter sido cometido contra pessoas idosas. Além disso, o órgão também a denunciou por adulteração de provas e por uso fraudulento dos cartões bancários das vítimas. Já o segundo denunciado responderá por furto mediante fraude.

Para o promotor de Justiça Mauro Fonseca Ellovitch, as evidências indicam que houve premeditação, tanto pela preparação anterior ao crime quanto pelas medidas tomadas depois, como a adulteração da cena e a venda dos itens roubados.

Diarista tentou fugir para outro estado

A denúncia aponta ainda que a acusada tentou se deslocar para outro estado após o crime. Contudo, a Polícia Civil realizou trabalho investigativo e conseguiu prendê-la num quarto de hotel antes que ela conseguisse fugir. Na ocasião, ela estava acompanhada de um filho pequeno.

Por fim, o MPMG ainda apura a participação de outras três pessoas que podem ter adquirido bens subtraídos do apartamento. Como não há indícios do envolvimento delas no latrocínio e nenhuma é reincidente ou criminosa habitual, elas podem ter direito ao Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Por isso, o Ministério Público pediu o desmembramento do processo em relação a esse grupo.