A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu quatro despachantes nesta semana durante mais uma fase da operação “Registro Oculto”, que investiga um esquema de fraudes em transferências de veículos em Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço. De acordo com a corporação, a apuração identificou mais de 200 procedimentos suspeitos relacionados a automóveis.
Segundo as investigações, o grupo utilizava documentos falsos e acessava de forma indevida sistemas vinculados ao Detran-MG para viabilizar mudanças de propriedade sem a realização da vistoria obrigatória. A polícia também apontou a inclusão de informações irregulares nos sistemas, emissão de segunda via de documentos e regularização de veículos sem conferência física.
Ao longo da apuração, foram identificados ainda registros de transferências feitas em nome de pessoas já falecidas, além do uso de terceiros para dificultar a identificação dos beneficiários do esquema. No total, 16 pessoas foram indiciadas por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
A investigação é conduzida pelo 12º Departamento da Polícia Civil, em Ipatinga, e reúne 19 volumes com mais de 7 mil páginas. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam computadores, celulares, documentos de veículos, recibos de compra e venda e comprovantes bancários, que seguem sob análise.
De acordo com a Polícia Civil, a operação tem ligação com outras apurações realizadas na região, incluindo a operação “Ponto Final”, deflagrada em 2023, que investigou irregularidades na Ciretran de Ipatinga.
Os desdobramentos do caso foram apresentados em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (20), na sede do 12º Departamento de Polícia Civil, no bairro Cariru. Participaram o delegado-geral Gilmaro Alves Ferreira e o delegado Augusto Luís Frade Drumond.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre o esquema.

