Na semana que antecede o aniversário de 62 anos de João Monlevade, o prefeito Laércio Ribeiro (PT) concedeu entrevista ao A Notícia e faz um balanço da atual gestão. O chefe do Executivo também projeta o futuro da cidade, defende uma gestão participativa e aposta no fortalecimento econômico e regional como caminho para consolidar Monlevade como polo do Médio Piracicaba.
Monlevade completa 62 anos e o senhor é prefeito pela terceira vez. Que balanço o senhor faz da sua gestão?
Faço um balanço muito positivo, mas com os pés no chão. Assumimos a Prefeitura com muitos desafios acumulados e enfrentamos diversos problemas ao longo do caminho. Começamos com a pandemia da Covid-19, depois veio a guerra na Ucrânia, que interferiu diretamente na produção da usina; mais recentemente, enfrentamos os impactos do aumento do diesel e, nesse intervalo, o tarifaço do Trump. Ao mesmo tempo em que contamos com uma importante multinacional que movimenta nossa economia, também sofremos os reflexos das crises que a atingem. Mesmo assim, conseguimos reorganizar a casa, retomar investimentos e devolver à população serviços mais eficientes.
Quais foram os principais avanços alcançados nos últimos anos e o que ainda precisa melhorar com urgência?
Avançamos na saúde, na educação, na retomada de obras e na organização administrativa. Reestruturamos serviços essenciais e ampliamos atendimentos. Mas sabemos que ainda há muito a fazer, especialmente na saúde e na mobilidade, que são demandas urgentes e legítimas da população. Na saúde, gostaríamos que a cobertura da Estratégia de Saúde da Família estivesse em 100%, mas ainda não conseguimos. Tivemos que fazer uma pausa por motivos financeiros, inclusive, com a adoção de um decreto de contenção de gastos. Outro ponto crítico é o DAE. Para mim, o grande problema que precisa ser resolvido em Monlevade é a falta de água. Precisamos liberar recursos do Comitê de Bacias para levar abastecimento às regiões mais altas, onde há maior incidência de desabastecimento. Além disso, limpeza urbana e mobilidade também são fundamentais e me preocupam.
Que legado o senhor pretende deixar ao fim do seu mandato?
Acredito que o mais importante é a participação das pessoas na Prefeitura, com a ativação dos conselhos e uma atuação mais próxima dos secretários municipais, uma administração participativa, que escuta a população. Se tivermos que destacar um “legado visual”, cito a antiga policlínica, hoje uma nova unidade moderna e bem estruturada. Também destaco com satisfação a regularização fundiária: já entregamos mais de 500 escrituras e temos outras 200 em andamento. Enfim, quero deixar uma cidade mais organizada, com serviços funcionando melhor, mais preparada para crescer e com projetos estruturantes em andamento.
Como médico, o senhor sabe que a saúde pública sempre tem demandas. O que já foi feito e o que ainda precisa avançar?
Reforçamos a atenção básica, ampliamos atendimentos e melhoramos a estrutura das unidades. Mas a saúde é dinâmica e a demanda cresce constantemente. Avançamos na cobertura da Estratégia de Saúde da Família, com quase 80% da cidade atendida. Ainda enfrentamos dificuldades com especialistas e cirurgias eletivas. Também sofremos, apesar de não ser responsabilidade direta do município, com a falta de vagas hospitalares e nas transferências. O SUSfácil é um gargalo, não só para nós, mas para diversos municípios.
A questão da infraestrutura urbana ainda gera críticas. Há um plano estruturado?
Sabemos que é uma demanda histórica e estamos atuando com responsabilidade para avançar de forma consistente. Já contratamos uma consultoria e, em breve, retornaremos com o sistema de estacionamento rotativo.
Como a Prefeitura tem lidado com a geração de empregos?
Temos trabalhado para fortalecer o ambiente de negócios, apoiar o empreendedorismo e atrair investimentos. O distrito industrial é muito bem localizado e é uma aposta de médio e longo prazo. Mantemos uma boa relação com a associação comercial e criamos a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para avançar nessa agenda, tanto na captação de indústrias quanto no incentivo à migração de empresas já instaladas na cidade para o distrito, reduzindo impactos ambientais e urbanos. A Secretaria também atua no estímulo à ocupação da Incubadora de Empresas e na oferta de cursos profissionalizantes, como os realizados no Planalto, com formação em áreas como pedreiro, manicure, cuidador de idosos, confeitaria e culinária, entre outras.
O que o senhor mais escuta nas ruas? E quais áreas mais demandam investimentos imediatos?
As pessoas querem uma cidade mais organizada e mais limpa, com a saúde funcionando bem. Infraestrutura urbana, saúde e mobilidade estão entre as principais prioridades, sem deixar de investir em educação e desenvolvimento econômico.
A oncologia regional pode se tornar realidade?
As negociações estão em andamento e sendo conduzidas diretamente entre os hospitais, Margarida e Nossa Senhora das Dores, que dialogaram e nos procuraram, sabendo que temos disponibilidade de espaço. Tornando-se uma realidade, será de grande importância para toda a região.
Como o senhor enxerga Monlevade para os próximos 10 anos?
Vejo uma cidade mais moderna, estruturada, com economia fortalecida e melhor qualidade de vida: uma cidade que cresce com planejamento e inclusão. Sou otimista. Temos uma siderúrgica importante, crescimento constante do comércio e da prestação de serviços, além de muitos investimentos e novos loteamentos surgindo. É uma cidade com potencial para se consolidar como polo regional do Médio Piracicaba. Ao mesmo tempo, é fundamental destacar a preocupação com os municípios vizinhos. Queremos que todos se desenvolvam, pois, quando isso não acontece, a demanda acaba sendo direcionada para Monlevade, especialmente na área da saúde.
E o que precisa ser feito hoje para preparar o futuro?
É necessário investir em infraestrutura, educação, tecnologia e desenvolvimento econômico. Preparar a cidade hoje é garantir oportunidades amanhã. Também estamos fortalecendo a integração regional, com atuação conjunta da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e maior aproximação com o setor empresarial.
Que mensagem o senhor deixa para a população?
Quero agradecer a cada cidadão de João Monlevade. São 62 anos de uma história construída com trabalho, dedicação e união. Seguimos firmes, trabalhando todos os dias para construir uma cidade cada vez melhor para todos. Agradeço pela confiança. Temos problemas, mas são pontuais. A população me acolhe muito bem. Vejo o futuro com otimismo e quero que a cidade avance cada vez mais, garantindo um atendimento de qualidade à população.
O que faz de João Monlevade uma cidade única?
É a sua gente. Um povo trabalhador, acolhedor e que acredita na cidade. O monlevadense recebe bem quem vem de fora. As entidades são participativas e contribuem muito com a Prefeitura, como o Bom Samaritano, o Asilo, o Rotary, o Lions, além da Polícia Militar, sempre parceira, atuante e próxima da administração.



