Reajuste salarial de 7,84%, aumento do cartão-alimentação de R$767,23 para R$1.200 mensais e o pagamento de uma recarga extra de R$ 1.200 em dezembro de 2026. Essas são as principais reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) apresentadas à ArcelorMittal Monlevade, na pauta de reivindicações para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.
A primeira rodada de negociação ocorreu na terça-feira (13). Na ocasião, a entidade sindical expôs as propostas aprovadas pelos trabalhadores e os argumentos que fundamentam os pedidos. Segundo o Sindicato, a proposta busca recompor as perdas inflacionárias, ampliar o poder de compra dos empregados e assegurar uma participação mais justa nos resultados econômicos da empresa.
Justificativas
Conforme o Sindicato, o percentual de reajuste salarial proposto combina a reposição da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e um aumento real vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o “Boletim Zé Marreta”, o cálculo considera a inflação acumulada em 12 meses até setembro, de 4,29%, e o crescimento econômico de 2024, de 3,40%. “Aplicados de forma composta, os dois índices resultam no reajuste reivindicado de 7,84%”, informa o Sindicato.
Cartão-alimentação
O aumento do cartão-alimentação ocupa lugar de destaque na pauta. A proposta do Sindmon-Metal prevê elevar o benefício mensal em R$ 432,77. A entidade também reivindica uma recarga adicional no mesmo valor em dezembro. Para justificar o pedido, o Sindicato compara os benefícios praticados em outras unidades do grupo e em empresas do setor. Segundo os sindicalistas, atualmente, o cartão-alimentação é de R$900 na unidade de Tubarão (ES), R$850 na Vega do Sul (SC), R$700 em Juiz de Fora e R$575 na Aperam, em Timóteo.
A entidade também lembra que os trabalhadores de Monlevade abriram mão de 4,61% da reposição inflacionária em 2021 para viabilizar a implantação do cartão-alimentação, inicialmente fixado em R$400. Segundo o Sindicato, a unidade local foi pioneira na adoção do benefício por meio de acordo coletivo. Em relação às recargas extras, os valores atuais são de R$850 em Monlevade, R$800 em Juiz de Fora, R$ 900 em Tubarão, R$850 em Vega do Sul e R$1.000 na Aperam.
Sindicato aponta perda de poder de compra
Outro argumento apresentado na negociação é a diferença entre a evolução do salário-mínimo e a remuneração de ingresso utilizada como referência na campanha salarial. De acordo com levantamento do Sindmon-Metal, entre 2021 e 2026 o salário-mínimo passou de R$1.100 para R$1.621, crescimento acumulado de 47,36%. No mesmo período, o salário de ingresso considerado pelo Sindicato subiu de R$2.072,54 para R$2.671,74, uma elevação de 28,91%.
Com essa diferença, a remuneração de ingresso, que correspondia a 1,88 salário-mínimo em 2021, passou a equivaler a 1,65 salários-mínimos em 2026. A entidade calcula uma perda relativa de 12,52% no poder de compra do trabalhador. Para recuperar a proporção anterior, o salário deveria chegar a R$3.054,17, o que representaria uma diferença de R$382,43 por mês.
Resultados financeiros
Ainda na defesa das reivindicações, o Sindicato também destaca os resultados financeiros e operacionais da ArcelorMittal Brasil. Conforme os números divulgados no boletim informativo da entidade, a empresa registrou, no segundo trimestre de 2026, receita de vendas de US$3,2 bilhões, equivalente a aproximadamente R$16,6 bilhões, lucro operacional de US$274 milhões e produção de 3,7 milhões de toneladas de aço bruto.
Nova rodada
A primeira reunião foi dedicada à apresentação da pauta e dos argumentos do Sindicato. A negociação prossegue em nova rodada de negociação, em encontro marcado para a próxima segunda-feira (20). Na ocasião, representantes da empresa deverão apresentar seu posicionamento em relação a essa reivindicação dos sindicalistas.

