João Monlevade recebe aproximadamente R$49,2 milhões por mês por meio de três programas federais de transferência de renda: Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Bolsa Família. O volume é calculado a partir de um estudo feito pelo monlevadense, bacharel em Políticas Públicas e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Thiago Henrique dos Santos.

Conforme o levantamento, o volume de recursos representa cerca de R$590 milhões por ano e evidencia a importância dos pagamentos federais para a renda de parte da população e para a atividade econômica do município.

A maior parcela desse dinheiro, conforme o estudo, vem do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), responsável por aproximadamente R$44 milhões mensais em aposentadorias, pensões e auxílios. Esses não são benefícios do governo, mas políticas de previdência pública pagas pelo governo a partir da contribuição do cidadão. “Em Monlevade, são 17.796 benefícios contabilizados, o equivalente a 89,3% do total estimado para os três programas”, informa Thiago Henrique.

O restante é composto pelos pagamentos do BPC, que somam cerca de R$3,1 milhões por mês, e do Bolsa Família, com aproximadamente R$2,2 milhões mensais, pagos a 3.294 famílias (aproximadamente 10% da população do município). Juntos, os programas alcançam idosos, pessoas com deficiência, aposentados, pensionistas e famílias em situação de vulnerabilidade social.

Dinheiro no cotidiano

Segundo o estudo, o dinheiro é utilizado principalmente para despesas cotidianas, como alimentação, moradia, medicamentos e contas domésticas. “Parte desses recursos também circula no comércio e no setor de serviços, embora não seja possível afirmar que todo o montante permaneça no município”, afirma o autor do trabalho. “Muita gente não entende, mas o Bolsa Família, o BPC e as aposentadorias do INSS viram compras em lojas, na padaria, nas farmácias, nos supermercados e nos pequenos negócios, como salão do bairro, manicures, barbearias. É a economia circulando”, explicou.

A dimensão dos pagamentos, segundo o levantamento, chama a atenção quando comparada ao Produto Interno Bruto (PIB) local: o volume anual estimado equivale a cerca de 13,8% do indicador municipal, considerando os dados disponíveis. A comparação, contudo, é aproximada, pois utiliza números referentes a anos diferentes.

Segundo Thiago Henrique, os pagamentos federais não substituem a renda gerada pelo trabalho, pelo comércio e pela atividade empresarial. “Eles mostram, porém, que a Previdência e os programas de transferência de renda constituem uma parcela relevante dos recursos que sustentam famílias e ajudam a movimentar a economia de João Monlevade”, afirma.

Uma outra informação contida no estudo está relacionada ao impacto do ganho real, o reajuste feito no salário-mínimo acima da inflação, na economia local. Ao corrigir o valor do benefício com apenas R$39,00 o governo injetou, em média, R$7 milhões na economia monlevadense. “Quando temos redução nos recursos destinados a programas sociais temos um duplo problema: de um lado a população mais vulnerável desassistida e de outro parte do comércio desestimulado pela perda da capacidade de compra dessa parcela da população”, afirma Thiago.