Existem histórias que crescem longe de onde começaram, mas que, ao se desenvolverem, não perdem as raízes nem a essência. A trajetória da médica Juliana Maria Fontes Costa (foto) é assim. Depois de sair de Monlevade na adolescência, para estudar em Belo Horizonte, Juliana passou por Alfenas e atualmente está em São Paulo. Agora, ela acaba de ser indicada para receber a Medalha da Ordem do Mérito das Forças de Paz do Brasil, concedida pela Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz (ABFIP).

A solenidade está marcada para 28 de outubro de 2026, no auditório da Universidade Paulista (UNIP), na capital paulista. O evento reunirá personalidades civis, militares e eclesiásticas indicadas às condecorações. Em entrevista ao A Notícia, Juliana conta que a homenagem reconhece profissionais que se destacam pelos serviços prestados à sociedade, pela ética e pelo compromisso humanitário.

Segundo ela, a indicação levou em consideração relatos de pacientes e uma pesquisa sobre sua atuação profissional, especialmente no atendimento à população da rede pública e a comunidades em situação de maior vulnerabilidade.

Para a médica, o reconhecimento ganha um significado ainda maior porque está relacionado a princípios que acompanham sua trajetória desde os primeiros anos de profissão.

Raízes

Filha de Raimundo Vitor da Costa e Maria das Graças Fontes Martins, a saudosa Dona Graça, da Casa Forte Imóveis, Juliana passou a infância na cidade, onde estudou na Amec e, posteriormente, no então Centec. Na adolescência, mudou-se para Belo Horizonte para cursar o ensino médio e se preparar para o vestibular de Medicina. Estudou nos colégios Promove e Edna Roriz. A mudança representou o início de uma nova etapa, mas não rompeu os vínculos com a cidade natal, onde vive seu pai e onde permanecem muitas de suas lembranças. “Nasci e cresci em João Monlevade, cidade pela qual tenho muito carinho”, afirma.

Em 2008, Juliana concluiu o curso de Medicina pela Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Alfenas. Posteriormente, iniciou a residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Municipal Odilon Behrens, em Belo Horizonte.

A formação continuou ao longo dos anos, quando ela se especializou em Obstetrícia de Alto Risco pela Universidade de São Paulo (USP) e em saúde da mulher no climatério e na menopausa pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O desejo de acompanhar a mulher em diferentes fases da vida também a levou a concluir uma pós-graduação de dois anos em Dermatologia Estética pelo ISMD.

Experiências

Algumas experiências de vida e em sua trajetória, porém, não cabem em certificados. Entre elas está um trabalho voluntário de 15 dias na Amazônia, em uma comunidade onde, segundo seu relato, o atendimento médico chegava apenas a cada dois anos.

Juliana conta que a equipe trabalhou sem energia elétrica e sem água encanada, em condições muito diferentes daquelas encontradas nos grandes centros urbanos. Foi uma experiência que reforçou uma ideia que acompanha Juliana desde o início da carreira. “A medicina precisa chegar aonde as pessoas precisam dela”, afirma.

Outro capítulo marcante da médica foi vivido durante a pandemia de Covid-19. Por dois anos, Juliana esteve na linha de frente dos atendimentos, dividindo com outros profissionais de saúde o medo, as perdas e os desafios de um dos períodos mais difíceis enfrentados pela medicina nas últimas décadas. “Foi um tempo de medo, perdas e desafios”, relembra.

Para ela, entretanto, aquele período também reafirmou o compromisso com os pacientes e com o cuidado em saúde. Essa relação com o atendimento público permanece como parte importante de sua trajetória. Foi no SUS, segundo Juliana, que aprendeu diariamente o valor de olhar para cada paciente com competência, escuta e humanidade.

Referência em gestação de alto risco

Atualmente, Juliana atua no atendimento de gestantes de alto risco no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O trabalho representa uma nova etapa de uma carreira construída ao longo de quase duas décadas e marcada por estudo, especialização e experiências em diferentes realidades da saúde.

Mas, mesmo atuando hoje em uma das instituições de referência do país, ela não desvincula sua trajetória das experiências que teve na rede pública e do contato com comunidades que enfrentam maiores dificuldades para ter acesso à assistência médica.

Espaço sobre histórias de mulheres

Depois da perda da mãe, em 2024, Juliana conta que tirou do papel um projeto que há algum tempo desejava realizar: o podcast “Almas Femininas”. O espaço, segundo ela, foi criado para dar voz às histórias, às experiências e às diferentes trajetórias de mulheres. Os programas “trazem conversas reais sobre temas que muitas mulheres vivem, mas poucas conseguem dizer em voz alta: maternidade, perdas gestacionais, culpa, carreira, corpo, relacionamentos, exaustão, recomeços e a complexidade de ser mulher nos dias de hoje”. O podcast pode ser acompanhado pelo Spotify.

O segundo sonho de Juliana é a JF Essência, clínica que será inaugurada em breve, na cidade de São Paulo. Segundo a médica, o espaço reunirá serviços e terá valores que orientam a sua maneira de cuidar da saúde da mulher.