Uma acolhida triunfal aos vencedores. Na última sexta-feira (7), as arquibancadas do ginásio do Colégio Cesp encheram-se para homenagear a equipe CespBots, que participou do Fira RoboWorld Cup 2026, o Campeonato Mundial de Robótica, na cidade de Markham, no Canadá, realizado em julho deste ano. No torneio, eles ganharam o título mundial na categoria Missão Impossível U14, além de ficarem no segundo lugar geral.

Liderado pelo professor Hailisson Ferreira, o time composto por seis alunos foi entusiasticamente recebido e aplaudido pelos colegas de todas as séries. Na entrada, cada um dos integrantes passou num corredor formado pelos estudantes da escola. Miguel Romanhol (6° ano), Enzo Pessoa (7° ano), Pedro Emanuel Silva (7° ano), Pedro Repolhes (8° ano), Daniel da Rocha (9° ano) e Daniel Pereira (1° ano) foram chamados individualmente, e receberam a ovação de todo o colégio. O diretor do Cesp, Gabriel Dugatti, não escondeu o orgulho que tem da equipe de robótica da escola: “Estou muito surpreso e feliz com o resultado! Ser premiado é consequência positiva”.
Estímulo e cultivo
Gabriel Dugatti explica que o Colégio Cesp oferece a disciplina de Steam para os alunos do 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental. Essa disciplina envolve o aprendizado em ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, e tem a robótica como um desdobramento dessa aula. Hoje, essa disciplina conta com cerca de 180 estudantes, que passam por uma espécie de “filtro” de habilidades para conhecer o perfil e o interesse em se aprofundar na robótica.
O planejamento para iniciar as atividades com os robôs aconteceu em 2023, e as aulas começaram já no ano seguinte. Ainda em 2024, a equipe se classificou para o campeonato de robótica disputado em São Luís do Maranhão. O time cresceu, ficou mais robusto e mais empenhado. Até chegar ao triunfo, os alunos se dedicaram com afinco, estudando, treinando, testando, repetindo e corrigindo erros.
Já em 2025, o CespBots fez parte do time que viajou até Daegu, na Coréia do Sul, e conquistou o segundo lugar na categoria Missão Impossível U14. Dessa forma, a equipe ganhou o direito de competir novamente, dessa vez no Canadá. Para se aperfeiçoarem, os estudantes passaram por atividades extracurriculares, recebendo kits especiais e tablets exclusivos, além da orientação do professor Hailisson Ferreira.
A competição no Canadá
A equipe foi formada por alunos muito jovens, entre 11 e 15 anos, divididos nas equipes U14 e U19. O aluno Daniel da Rocha explica que uma das provas da equipe CespBots foi a chamada “Missão Impossível”. Nela, a equipe chega ao centro de convenções sem ideia alguma da tarefa a ser executada. Após receberem as instruções, os competidores têm até duas horas para prepararem todo o material e fazerem o seu robô desempenhar aquilo que lhe foi designado.
A equipe CespBots teve duas tarefas a fazer. Numa delas, um robô teve que escalar uma corda atada ao topo, com cerca de 1,25 metro de altura. Na outra, era preciso que o robô tocasse uma bola de futebol a um humanóide, para que este a chutasse em direção ao gol. Com o triunfo, o diretor Gabriel Dugatti expressa a sua satisfação com os resultados: “Nunca imaginei que esse investimento tivesse retorno tão rápido!”.
Múltiplas habilidades
Durante as provas, cada membro da equipe assume uma função, como a montagem física do robô ou a sua programação. No entanto, explicam os alunos, essa divisão exige uma dupla capacidade. Cada integrante precisa dominar profundamente a sua tarefa, e ao mesmo tempo, precisa entender a missão de todos os colegas. Dessa forma, os alunos se tornam, ao mesmo tempo, especialistas em suas funções e generalistas que compreendem a dinâmica de todo o processo.
O professor Hailisson Ferreira destaca uma outra habilidade desenvolvida nos integrantes da equipe CespBots: a inteligência emocional. Trata-se da capacidade de manter-se calmo e focado para cumprir a tarefa, mesmo em situações de adversidade, imprevisto ou aborrecimento: “Se o robô deu errado, é preciso entender por que deu errado, e procurar consertar. Na robótica, você vai errar muito antes de acertar”.
Outra competência desenvolvida durante o torneio foi a cooperação com outras equipes. Durante as competições, a equipe CespBots teve de se juntar com estudantes do Brasil, do Uruguai e até da China, aprendendo a compartilhar equipamento, conhecimento e experiências.
Para os alunos, não foi apenas um campeonato. Eles estiveram num outro país, conhecendo uma cultura distinta, interagindo com pessoas de diferentes nacionalidades, experimentando uma culinária variada. Nessa jornada, foi fundamental dominar o inglês, língua majoritária no Canadá e na qual eram entregues os comandos nas provas do Fira RoboWorld Cup 2026.

A ciência do futuro
O conhecimento da robótica ainda na escola é o domínio de uma tecnologia que é fundamental para a inovação e o desenvolvimento. Em todo o mundo, governos e grandes companhias promovem pesados investimentos em pesquisa para aprimorar a automação e a aplicação de robôs nas mais diferentes áreas da indústria. A Inteligência Artificial (IA) é mais um ingrediente desse turbilhão de invenções, que traz imensas potencialidades a quem dominar essas tecnologias, conforme explica Hailisson Ferreira: “Não há como fugir da automação, da IA. Os problemas de hoje são diferentes dos problemas do passado. O tema que nós estamos trabalhando aqui no Cesp é a IA: qual a importância da IA? Quais os perigos da IA? Isso desenvolve um senso crítico”.
Com a conquista, a equipe CespBots já está garantida na edição de 2027 do Fira RoboWorld Cup, que será disputado na Malásia. Conforme os alunos crescem, novas oportunidades são abertas aos mais jovens. Mas, para além da participação no torneio, o contato com a robótica já permite aos alunos a possibilidade de se aprofundarem nesse conhecimento: eles já abrem a porta para, ao terminarem o Ensino Médio, ingressarem numa universidade e mergulharem de cabeça nesse campo de estudos, abrindo novas portas para a própria carreira e contribuindo para o desenvolvimento tecnológico do Brasil.












