(*) Márcio Passos
Apenas nasci no Rio de Janeiro e me considero do Médio Piracicaba, cidadão honorário de João Monlevade e Itabira, além de longa convivência com São Gonçalo, Barão e Santa Bárbara, entre outros.
Minha maior história pessoal e profissional que me transformou em monlevadense todos conhecem.
Aos 8 anos de idade cheguei em João Monlevade em 1959, indo morar em Carneirinhos aos pés do Monte Santo. Ruas de chão batido inclusive na única avenida Getúlio Vargas, um pequeno cinema e um campo de futebol onde, depois, surgiu a ACM que não existe mais. O centro comercial, habitacional e de lazer era ao redor da Usina de Monlevade.
Conheço bem minha querida João Monlevade e toda sua história. Fui boieiro levando marmitas para os trabalhadores, comprei minha primeira gravata no Armazém do Geo e minha primeira calça jeans na Loja do Bráz, atendido pelo amigo China. Trabalhei no comércio, na Esmetal, na Associação Monlevade de Serviços Sociais, Rádio Cultura e jornal Atualidades do Vale, além de montar a primeira agência de propaganda da região. Fui fotógrafo, dono de restaurante e voltei ao jornalismo pelo A Notícia e, depois, à consultoria de marketing e estratégia política.
Sou mineiro, uai, e mais monlevadense ainda. Sou testemunha do trabalho de todos os prefeitos da cidade, acompanhei e acompanho os desempenhos e suas diferenças. A maioria não se difere, com uns poucos se destacando mais. O atual, apesar de críticas da oposição, é sério e dedicado, mesmo sem o perfil empreendedor e comunicador. Está em seu terceiro mandato e já demonstrou que é confiável.
João Monlevade, no entanto, precisa abrir um debate com suas lideranças para definir qual cidade o povo quer no futuro. Ter a ArcelorMittal como principal fonte de renda é muito bom, mas a aplicação dos recursos pelo município merece ser discutida com toda a comunidade. Além das propostas que deverão surgir, problemas existentes e a longo tempo sem solução precisam ser encarados.
As obras de correção da entrada de água das chuvas no canal da avenida Wilson Alvarenga não podem esperar mais e o Distrito Industrial precisa ser tratado como investimento. O trânsito no centro da cidade está no seu limite e exige obras e alterações urgentes. O trevo da BR-381 com avenida Alberto Lima precisa ser refeito e nada vai acontecer sem a iniciativa do Executivo local. É desumano e muito arriscado continuar utilizando a Praça do Povo para eventos grandes. E o que esperar nas áreas da saúde, educação e trabalho social? Até mesmo problemas menores, como a super poluição de outdoors ao longo da Gentil Bicalho, deixam aspecto de indiferença com a zeladoria da cidade.
Esperar iniciativa apenas dos poderes Executivo e Legislativo não basta. É preciso iniciativa de conclamar representantes de todos os setores da comunidade para produzir um plano da cidade para que os atuais e futuros governantes assumam compromissos com o que a população quer. Até porque Plano de Candidato, na maioria das vezes, é estelionato eleitoral.
(*) Márcio Passos é jornalista, fundador do A Notícia, e consultor de marketing e estratégia política

