A relação entre a Câmara Municipal e a Prefeitura de João Monlevade vive um momento de tensão que já não pode ser mais tratado como pontual. Desde o ano passado, os sinais que vêm do Legislativo são claros e mostram a insatisfação de vereadores com integrantes do primeiro escalão.
Nas últimas reuniões, críticas antes pontuais passaram a ser feitas de forma mais direta, inclusive, por parlamentares da base do prefeito Laércio Ribeiro (PT). O caso do vereador Vanderlei Miranda (Podemos) é emblemático. Aliado do governo, ele voltou a criticar, pela segunda reunião consecutiva, o chefe de Gabinete, Gentil Bicalho. Conforme Vanderlei, Gentil insiste numa medida considerada irregular pela própria Procuradoria do município.
Na mesma linha, o presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), sugeriu a necessidade de ajustes no secretariado. Sem citar nomes, afirmou que mudanças pontuais podem evitar desgastes maiores com o Legislativo. Resumindo o cenário, Linhares disse que é mais fácil “mexer em uma peça do tabuleiro do que em 15”.
Outros sinais do nível de insatisfação não podem ser ignorados, como o pedido de abertura de CPI na Fundação Casa de Cultura, denúncias de alimentos vencidos em escolas e mais cobrança por limpeza urbana. Provas de que a relação entre Executivo e Legislativo precisa de revisão, até para garantir a governabilidade da gestão junto aos parlamentares.
Se o governo começou com três oposicionistas, eleitos por outras coligações, agora conta com um número maior de insatisfeitos e críticos. Ou seja, esses vieram da própria base governista. Diante desse cenário, cabe ao Executivo compreender que ignorar esses sinais amplia o desgaste.
O momento exige ajuste, revisão de práticas, fortalecer o diálogo e, se necessário, promover mudanças que tragam resultados e garantam estabilidade e eficiência na gestão pública para Monlevade seguir avançando.

