(*) Luciana Carvalho
Tenho vários motivos para votar em Flávio. O primeiro deles diz respeito à definição da função do Estado. Historicamente, o Estado surgiu da necessidade que o homem sentiu em controlar o convívio com outros seres humanos, de estabelecer normas sociais e de convivência num mesmo território e de ordenar atitudes sociais neste ambiente. A principal função do Estado é a segurança. Submetemo-nos aos governantes e leis e pagamos impostos para não vivermos a mercê da barbárie.
O Flávio Bolsonaro é, hoje, o único candidato que enfatiza e prioriza este entendimento de atribuição do Estado. Estado não serve para administrar empresas. Não serve como mero provedor de empregos sem critérios de eficiência. Não serve para estabelecer ou legislar o certo e o errado (mas deve se reger pelo certo, e não pelo erro). Não serve para tomar o lugar da família e postular como esta deve criar os filhos. Não serve para alterar parâmetros biológicos. (Alguém realmente acredita que, com uma lei, você muda o que a biologia determina?). Não serve para abrigar assassinato de infantes.
Além disto, faz parte da visão do candidato, diminuir o tamanho da máquina estatal. Fazendo assim, o governo poderá se dedicar com mais afinco a suas áreas fins. Flávio identifica problema nas contas públicas, o que os socialistas se negam a enxergar. Na Educação, a proposta é concentrar-se na volta do conteúdo em lugar da ideologia. Os números apresentados nos últimos levantamentos informam a incapacidade dos nossos estudantes em interpretar um texto e em realizar questões matemáticas. Se estivéssemos acostumados a avaliar políticas públicas pelos resultados apresentados ao invés de avaliarmos suas intenções não teríamos permanecido nas últimas décadas com este modelo fracassado de educação.
O problema da esquerda é que ela nunca é comparada com a direita. A armadilha do discurso da esquerda é comparar uma ideia “perfeita” com a realidade, como se isso fosse prova da superioridade esquerdista. Porém, a honestidade intelectual exige que se compare o socialismo real com o capitalismo real. Nesse caso, fica escancarada a inferioridade da esquerda. Pois, como escreve Denis Rosenfield, a comparação “deveria ser entre a Alemanha [Ocidental] capitalista e a [Alemanha Oriental] socialista, ou ainda, entre a Coreia [do Sul] capitalista e a [Coreia do Norte] socialista”, mas a comparação é filtrada por uma “mentalidade religiosa”, “teológico-política”, onde se compara a direita real “com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições”.
No nosso caso, é legítimo compararmos os números da administração do Lula e do PT com a administração anterior: Em 2022, quando Lula assumiu a Presidência da República, o Brasil registrava 198,7 mil pessoas em situação de rua cadastradas no CadÚnico. Em junho de 2026, esse número chegou a 392,4 mil pessoas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

Já os pedidos de recuperação judicial de empresas aumentaram de 833, em 2022, para 2.273 em 2026, atingindo um recorde, de acordo com dados da Serasa Experian. Na área tributária, foram 36 aumentos de impostos desde 2023, de acordo com a revista Veja de outubro de 2026, que considerou aumentos de alíquotas, criação de novas taxas e encerramento de benefícios fiscais.
Outro dado importante. O Brasil voltou a ser devedor internacional após 19 anos: dados do Banco Central de junho de 2026 indicam que a dívida externa atingiu US$407,1 bilhões, superando ativos de US$402 bilhões. O Brasil encerrou 19 anos como credor líquido. A dívida externa brasileira cresceu 27,4% no governo Lula, superando o aumento das reservas internacionais.
Ainda em dúvida? Vamos a algumas perguntas: Você é a favor da saidinha de presos? Quer pagar mais impostos? Gosta de dar dinheiro para sindicato? Apoia invasões de propriedade privada? Gosta de ver a primeira-dama esbanjando o seu dinheiro em viagens caras e acessórios de luxo? Acha normal bancar mais viagens da primeira-dama do que para o presidente que foi eleito? É a favor da maioridade penal para crimes hediondos? Quer endividar os seus descendentes por mais 3 gerações? Você quer o impeachment de ministros do Supremo? Acha que o governo Maduro tinha excesso de democracia?
(*) Luciana Carvalho é economista e ex-secretária de Fazenda e Saúde da Prefeitura de Monlevade
@lucianampccarvalho



