Moradores da rua Piracicaba, a rua da estação ferroviária, no Centro Industrial, aguardam providências relacionadas à situação de risco identificada na região. O local foi incluído no levantamento do Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR), elaborado pela Prefeitura de João Monlevade em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), que identificou mais de 100 pontos vulneráveis no município.

A preocupação dos moradores se concentra, principalmente, nas condições dos taludes e encostas existentes nas proximidades das residências. Além disso, a rua tem muitos idosos, cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção. Uma das moradoras, a dona de casa Sônia Andrade, afirma que um talude localizado junto à sua residência cedeu há cerca de 13 anos.

Segundo ela, desde então, nenhuma intervenção capaz de solucionar o problema foi realizada. “Já faz cerca de 13 anos que um talude cedeu e até hoje a situação continua”, relata. Conforme Sônia, a preocupação aumenta com os períodos de chuva e com a possibilidade de agravamento do problema.

Conforme Sônia Andrade, outra preocupação é a do talude cair sobre a casa da vizinha, que fica na rua de baixo, a Siderúrgica. A Notícia esteve no local e a moradora Maria José Alves Vilar, de 83 anos, disse que a situação também a assusta muito.

As duas vizinhas contam que chegaram a deixar os imóveis em 2012, quando o talude cedeu, mas retornaram um tempo depois, após a Prefeitura deixar de pagar o aluguel social. “Entreguei para Deus, mas toda vez que chove, a nossa preocupação aumenta”, afirma Maria José. Ainda segundo Sônia, o temor é que ocorra uma tragédia, sem que medidas sejam tomadas pelo poder público: “Será que estão esperando morrer alguém para fazer algo?”

Denúncia MPMG

Diante da situação, os moradores procuraram o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A questão passou a ser acompanhada pela 1ª Promotoria de Justiça de João Monlevade, pedindo soluções para o caso. O Ministério Público noticiou a Prefeitura e pediu, de forma centralizada, o acompanhamento das áreas de risco geológico identificadas no município. O documento estabelece, como finalidade, “acompanhar a política pública municipal voltada à mitigação e eliminação dos riscos geológicos de grau alto e muito alto identificados no Município de João Monlevade”.

Em despacho de 21 de agosto de 2026, a promotora de Justiça Júlia Baccarini de Castro Figueiredo Teixeira determinou que a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente prestassem informações em 30 dias sobre as áreas identificadas no levantamento, além da rua Piracicaba, outras nos bairros Mangabeiras, Rosário, Loanda, Boa Vista, Areia Preta, Promorar, Santa Cecília, Saúde, Santa Cruz e Centro Industrial.

Entre os questionamentos encaminhados estão a existência de risco imediato ou iminente de deslizamento, a necessidade de interdição preventiva de imóveis e logradouros públicos e quais medidas administrativas o município pretende adotar para preservar a integridade física dos moradores.

O Ministério Público também solicitou esclarecimentos sobre a responsabilidade pelas obras de contenção. A Prefeitura deverá informar, conforme cada situação, se as intervenções cabem ao poder público ou aos proprietários dos imóveis particulares.

O prazo venceu, mas passado o período sem respostas, a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil pediram mais 30 dias para apresentarem as informações. O pedido foi deferido pelo MPMG, no dia 7 de outubro.

Prefeitura busca recursos

Procurada pelo A Notícia, a Prefeitura de João Monlevade informou que a situação da rua Piracicaba foi identificada no Plano Municipal de Redução de Riscos, elaborado pela UFV, que apontou áreas de risco no município e propôs medidas para enfrentar os problemas identificados.

Segundo a administração municipal, por se tratar de uma área particular e de uma intervenção de engenharia de alto custo, a Prefeitura está buscando recursos junto ao Governo Federal para viabilizar as obras necessárias. O município informou ainda que a Defesa Civil continua acompanhando a situação, com atenção à segurança dos imóveis e dos moradores.

A gestão municipal acrescentou que, caso não seja possível viabilizar a intervenção e a avaliação técnica indique risco à integridade estrutural dos imóveis ou à segurança das pessoas que vivem no local, poderão ser necessárias medidas preventivas, incluindo a retirada dos moradores, conforme a orientação dos órgãos competentes.